O Brasil de péssimos governos é um país que surpreende pelo seu vasto potencial e pelas perspectivas novas que emergem da capacidade inventiva, descobridora e criadora da iniciativa privada. É o caso da ampla cancha que se abre para o negócio do biodiesel, combustível automotivo originado de oleoginosas como dendê, mamona, amendoim, palma, soja e, surpreendentemente, de um resíduo como o bagaço da cana. A corrida já está começando, inicialmente tímida, com uma produção ainda de 20 milhões de litros/ano mas que chegará, breve, a centenas de milhões, segundo os prognósticos mais conservadores – talvez 800 milhões/ano dentro de pouco tempo. O biodiesel será adicionado ao diesel de petróleo, à base de 2%, conforme Medida Provisória resultante de pleito dos produtores e pronta para converter-se em lei, só aguardando sanção presidencial – algo que o Senado tentou derrubar e quase inviabiliza um negócio de milhões. Esse promissor negócio beneficiará pequenos, médios e grandes produtores. A tecnologia de gaseificação do bagaço, já patenteada, converte a biomassa em gás e depois em biodiesel, por um processo de síntese química vibilizada através de catalisador. O resultado é um produto livre de enxofre – um sério problema ambiental do diesel fóssil – e com alta octanagem. A previsão de rendimento é de uma tonelada de biodiesel para cinco ou seis toneladas de bagaço. Fala-se mais do bagaço porque o seu volume é muito grande. Esse resíduo já é utilizado para produção de vapor e energia excedente em usinas de açúcar e álcool. A obrigatoriedade da mistura – que em poucos anos poderá chegar a 5% – acena para negócios futuros mais robustos, que irão exigir fábricas com capacidade superior a 50 milhões de litros/ano. A empresa paulista Dedini S/A Indústria de Base já tem à mão um acordo comercial com uma empresa italiana, para quando a demanda por biodiesel chegar à casa da centena de milhões de litros. A mesma Dedini fechou contrato para fornecer uma unidade nova, para produção de 8 milhões de litros/ano, para a Agropalm Pará, que produzirá biodiesel à base do resíduo refinado do óleo de palma. Grandes empreendedores já estão atentos ao negócio, significando que perderão força pressões de interesses estrangeiros – as mesmas que derrubaram o Pró-Álcool, embora não definitivamente. O Governo, que sempre marcha com atraso e às vezes na contramão do empreendedorismo privado, precisa comparecer com sua parte, viabilizando canais de financiamento para sustentar a implantação do projeto biodiesel, que desponta como irreversível.

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