São inadequados usos de termos como ''alto custo'' para os municípios e ''o magistério onera prefeituras'' para o aumento salarial ora dado aos professores. Essa merecida elevação de ganhos não é nenhum ônus, ao contrário, um bem aplicado em investimento. É a Confederação Nacional dos Municípios que usa essas expressões ao falar do adicional de R$ 1,8 bilhão na folha salarial do professorado brasileiro.
Só falta agora a entidade começar a reclamar desse dispêndio a mais e dizer que escassearão recursos às prefeituras. O alto custo das administrações municipais está nas câmaras de vereadores com os elevados ganhos de seus integrantes por pouco trabalho, com a desnecessária locupletação das suas assessorias e com outros gastos abusivos; está no funcionalismo apaniguado de baixa serventia nas prefeituras, em prejuízo dos que atuam nas áreas da educação, da saúde e outros atendimentos básicos; está nas obras superfaturadas e tantos outros tipos de corrupção. O testemunho disso são as rotineiras notícias de escândalos de todos os tamanhos, que se lêem nos jornais.
Investir no piso salarial do magistério é, portanto, uma boa despesa, e só prefeitos reclamam, porque a opinião pública aprova. Ocorre que tendo de pagar mais aos professores (que têm recebido minguados salários de R$ 415, R$ 550 e R$ 700) sobrará menos para os esbanjamentos. Mesmo os municípios mais pobres não deixam de gastar no supérfluo, cada qual conforme suas proporções, mas quando se fala em aumento salarial nos setores essenciais logo se apela para o argumento de que será um ônus. Com toda a certeza ninguém deseja conter a farra pública - porque esta não pode ser sacrificada - sendo certo que outros atendimentos poderão cair de volume e de qualidade se essa festa for comprometida.
Se a alteração nas jornadas de trabalho obrigará à contratação de mais professores, os recursos aparecerão se mordomias dos demais setores forem cortadas. Tal reciclagem e adaptação de verbas, sem corte nos serviços essenciais, precisam ser também uma preocupação (e um dever de orientação) das associações de municípios e da Confederação.
Nunca essas entidades se manifestaram em vigorosas campanhas de repúdio às roubalheiras de prefeitos e vereadores e nunca ofereceram sua contribuição para doutrinação e conscientização deles, mas imediatamente se pronunciam quando se trata de angariar mais dinheiro para os municípios. Um pleito legítimo, mas é preciso também atentar para a outra extremidade, que é a dos gastos que podem ser cortados - e sem prejuízo dos atendimentos básicos e da realização de obras.

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