As árvores valem mais que o petróleo - Clem Colito
Clem Colito
Há alguns dias este espaço foi ocupado por Miguel Ignatios que trouxe aos leitores uma reflexão sobre o valor da água para o ser humano. Hoje me proponho a levar aos leitores uma reflexão sobre um outro elemento da natureza: as árvores.
Sempre, ou seja, em diferentes ocasiões, em que me ponho a defender o corte indiscriminado das árvores percebo atitudes que vão da zombaria ao descaso, como se a minha atitude fosse de pessoa não sadia mentalmente. Por essa razão, e pela razão maior que determina minhas convicções e naturalmente minhas ações e consequentes palavras em defesa dos recursos naturais finitos, é que venho ocupar este espaço.
O Brasil é reconhecido como o maior exemplo de destruição de recursos naturais, notadamente das áreas florestais, no continente sul-americano. Mas portadores que somos desse título, que nada nos honra, continuamos a depredar toda a natureza à nossa volta, na condição de único ser racional da criação.
As recentes enchentes, cujas imagens abalam até mesmo o homem que não tem condição de compreender a complexidade de tal fenômeno, demonstram que a natureza está dando sua resposta à ação devastadora do homo sapiens. Por outro lado, outras imagens dão-nos conta da enorme contradição ocorrente no meio ambiente; a Região Sudeste afogada e a Região Sul sedenta. Quem viaja pela nossa região pode comprovar que os nossos rios estão em níveis tão baixos como nunca se viu. O nível das águas da Represa de Itaipu bem o demonstra.
Quais seriam os motivos de todas essas desordens neste pedaço do nosso Planeta? Essa pergunta encontra fácil a resposta, posto que é elementar... Já no primário aprendemos, mesmo sem ter a total compreensão, sobre o equilíbrio existente entre os elementos da natureza. Aprendemos também sobre o papel que as árvores têm nesse ecossistema tão maravilhosamente montado por Deus, para permitir a vida do homem.
Será que esquecemos as lições dos primeiros anos de escola, onde aprendemos que as árvores depuram o ar? Que durante o dia elas realizam a fotossíntese sobre o sol e à noite absorvem todo o gás carbônico existente no ar liberando o oxigênio vital ao homem?
Vamos recordar um pouquinho mais essas lições que pelo visto já são esquecidas: não são as árvores que também contribuem para o controle da precipitação das chuvas? Não são as árvores que refrescam o clima? Não são elas que garantem a permeabilidade do solo, permitindo a manutenção dos lençóis freáticos e/ou águas subterrâneas que se alimentam das chuvas; não são elas que mesmo depois de mortas contribuem para a sedimentação do solo e que ao longo do tempo transformam-se no ouro negro?
O desmatamento, não só aquele em grandes proporções, mas até mesmo o corte de uma árvore, apenas concorre para que aconteça o desequilíbrio entre os elementos da natureza.
Infelizmente vemos muitas agressões diárias às árvores, e essas agressões, não raras vezes, vêm das instituições que deviam zelar para que isso não ocorresse. Vemos cortes e queimas de árvores na nossa cidade, o que nos leva a crer que a nossa decantada Londrina não se tem preocupado com suas árvores, ou seja, com sua natureza, seu meio ambiente.
Cortam-se árvores pelos motivos mais fúteis, como porque sujam as calçadas, porque vão edificar e não querem recuar alguns metros essa edificação para poder salvar as árvores; cortam-nas porque estão urbanizando as avenidas e o porte das velhas e frondosas amigas não combina com o novo design planejado pelos urbanistas; ora porque são velhas e têm cupins... Ora para deixar a fachada dos prédios residenciais e comerciais à mostra.
Na zona rural, deitam sem dó as velhas grevíleas e as matas nativas para não perderem a colheita daquele metro de terra que está à sua volta. E o que dizer da extinção das matas nativas, cujo processo colonizador tentou preservar colocando como obrigatoriedade a manutenção de 20% das matas existentes nas propriedades?
Hoje, diante do que vimos acontecer longe de nós as enchentes, as estiagens e suas consequências dolorosas ao homem há necessidade de mudarmos a nossa relação ética com o meio ambiente à nossa volta. É preciso que nos perguntemos:
Até quando o ar de Londrina será respirável? Até quando nossos mananciais garantirão água para mitigar nossa sede? Até quando nossas terras germinarão as sementes nelas lançadas? É preciso lembrar diariamente da finitude desses recursos naturais.
Existe uma frase que é usual entre aqueles que defendem o meio ambiente devemos pensar globalmente e agir localmente o que quer dizer que na medida que cada homem ou cidade cuidar, conservar, preservar, usar de forma racional os recursos naturais à sua volta, haverá possibilidade de vida para todos.





