As ambições apenas fisiológicas do PMDB
O que se extrai da convenção nacional peemedebista - realizada domingo e que manteve Michel Temer no comando - é o discurso sempre igual de assumir o poder e nunca um programa partidário que venha a beneficiar a nação. O ideal (e não apenas do PMDB) é sempre a disputa pelo mando e assim facilitar os desmandos. A palavra de ordem que emanou do ''concílio'' é conquistar a Presidência da República na próxima eleição. O ex-governador mineiro Newton Cardoso chegou a fazer a intimação de que ''Temer é obrigado a lançar candidato em 2010, senão ele vai ficar queimado''.
A preocupação não é se o partido venha a ser queimado pela opinião pública, pela ausência de um projeto partidário para o Brasil - o que nunca foi preocupação de grupo político algum - e sim pelo que o presidente reeleito do PMDB não vier a fazer pela sustentabilidade do poder. Quatro anos ainda faltam para a campanha presidencial, mas a preocupação peemedebista não é aproveitar esse longo período pela causa de propiciar um salto de qualidade à nação brasileira, agora que o PMDB enfeixa considerável parcela do poder ao compor-se com o Governo. Com o acréscimo de ter sob seu comando a presidência da Câmara.
Um partido que já é governo - e tendo o legítimo direito de aspirar os cargos mais relevantes da República - deveria atentar para a oportunidade de colocar em ação o poder de que dispõe e mobilizar o presidente e seus ministros para a execução de um abrangente projeto de desenvolvimento nacional. Mas não houve sequer uma palavra nesse sentido na convenção do grande partido, aspirante de ocupar o trono presidencial.
Fossem os políticos mais inteligentes e menos fisiologistas, o momento dos peemedebistas seria de conquistar os cidadãos por meio da eficiência parlamentar e assim pavimentar o caminho na direção do Palácio do Planalto, por via das grandes reformas que a nação reclama - a política, a tributária, a das leis anacrônicas e desatualizadas - e de um programa de arrojadas políticas públicas e de revitalização do ânimo popular, de modo a empolgar os brasileiros a marcharem juntos. Mas não.
''Nosso desejo é que tenhamos candidato à Presidência da República'' - declarou Michel Temer, eventualmente imaginando que possa ser ele mesmo. Este o desejo. Quanto à nação, esta que espere por algum milagre, porque com uma tal mentalidade não será por via de partidos políticos - e deveria ser - que esta nação irá emergir do subdesenvolvimento.





