Ao assumir a secretaria municipal de Meio Ambiente no final de 2006, o advogado Gérson da Silva prometeu impedir a erradicação de árvores não condenadas. Ao mesmo tempo, disse que tentaria agilizar a poda de galhos - cuja fila de espera chega a quase dois anos. Quatro meses depois, a fila para a poda continua igual e a eliminação de árvores sadias não acabou. Nesta entrevista, Gérson da Silva passou a justificar a eliminação de árvores que, segundo ele, prejudicam a visibilidade da fachada de empreendimentos comerciais.


Quando assumiu a Sema, o senhor prometeu impedir a erradicação de árvores sadias. Por que isso não ocorreu?

Muito simples. Temos que ver do ponto de vista do ganho ambiental. No supermercado da Avenida Madre Leonia, tínhamos três árvores, uma condenada e duas se desenvolvendo normalmente. Agora, se há necessidade de retirada de uma árvore, até para para valorizar o empreendimento, não há impedimento da nossa secretaria. Elas (duas árvores sadias) não atrapalhavam em nada, mas teremos um ganho ambiental porque o supermercado se ofereceu para plantar outras 30 árvores (apenas 15 foram plantadas até o momento). Então, do ponto de vista ambiental, tivemos ganho, e não perda.


Se a questão é o ganho ambiental, por que retirar árvores sadias - e não apenas complementá-las com novas mudas?

Se, na concepção do empreendedor, sem a árvore poderia melhorar, nós temos que fazer. Não podemos ficar com esse engessamento da cidade. Da mesma coisa, o supermercado que está abrindo na Rua Maringá retirou (árvores sadias) porque estavam refazendo toda a calçada. Se a retirada de uma árvore for necessária para que o empreendimento se viabilize, nós vamos autorizar.


O que essas erradicações visam é dar mais visibilidade às fachadas, não?
Pode ser, para valorizar o empreendimento.


E se o empreendedor for uma pequena mercearia de bairro, sem condições de plantar 30 novas árvores?

Se a mercearia quer retirar, mas não tem condições, então paciência. Ela fica sem retirar.


Qual princípio legal permite ao secretário dizer que determinada árvore, ''sadia'' e que ''não atrapalhava em nada'', pode ser erradicada? Tem gente que escreveu à FOLHA reclamando dessas erradicações...

A legislação me dá a discricionariedade para tomar essas decisões enquanto gestor ambiental. Sou o secretário, então tenho a discricionariedade para definir isso. Agora, você vai me desculpar, dizer que a população gostava daquelas árvores... A população não cuidava! Eu quero saber o seguinte sobre quem se manifestou. De que árvore ele cuida? Daí vou verificar...


Quais são as árvores de que o senhor cuida?

Não tenho tempo de cuidar de uma pessoalmente, tenho de cuidar da cidade.


Enquanto supermercados erradicam árvores em questão de dias, a população aguarda dois anos por uma simples poda. Os grandes estão sempre na frente da fila?

Não. Até porque os grandes empreendimentos são eles mesmos que fazem o trabalho. Segundo, nós não temos pessoal para fazer a poda em toda a cidade, (por isso) é que não está ocorrendo a poda. Agora, qualquer morador que queira fazer a poda, nós autorizamos. Inclusive orientamos como deve ser feita.


Mas quando um advogado podou um galho no Centro, que estava facilitando os assaltos, o senhor prometeu autuar, multar, processar...

Sim, mas tem de estar autorizado pela Sema. O órgão ambiental precisa fazer análise, verificar a viabilidade, o equilíbrio, a pessoa não pode fazer isso à sua vontade.

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