Artifícios para impedir queda do dólar
Setores empresariais se incomodam muito com a presença do governo na economia. Além do abuso tributário, o governo restringe e sua burocracia é um estorvo. Portanto, quanto menos governo, melhor.
Tudo isso é verdade. Só que na hora de liberar o câmbio (utopia!) todos se incomodam em fazem pressão contra a valorização do real. Aí o governo passa a ser bem-vindo. Grande exportadores aceitam até o artifício das abomináveis taxações, como agora, com a iminente adoção do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF). Motivo: sentem no bolso a desvalorização da moeda norte-americana.
Exportar é o que importa - incentivava um programa de governo no tempo de Delfim Netto. Quem se lembra desse mote? O Brasil precisa da entrada de dólares através das exportações.
Mas a economia é feita, também, de mercado e indústria internos. Existe o setor importador presente na atividade produtiva. Houve época em que a disparidade cambial adiou a importação de equipamentos básicos (sem similiar nacional, é claro) para certas atividades industriais - que continuam não podendo prescindir não só de equipamentos como de insumos diversos.
O segmento exportador do setor empresarial está defendendo que o IOF é a única saída no curto prazo. Ele amortece a queda do dólar, ajuda o dólar a não despencar. Na verdade o IOF (alíquota de 2%) já está presente na entrada de capital estrangeiro.
Sobre o assunto, o economista Armínio Fraga acalma os mais incomodados com a valorização da moeda brasileira. Diz ele: mais importante que o câmbio, o grande nó a ser enfrentado na economia brasileira ainda é a taxa de juros alta. Isso decorre do crescimento dos gastos públicos e de uma política de aumento de crédito dos bancos públicos, que, na crise, foi positiva, mas não pode se manter nesse ritmo indefinidamente.
A tese de Fraga tem lógica na própria política expansionista do ano eleitoral. Para reduzir juros, é preciso cair a taxa de crescimento dos gastos e da carga tributária e também ficar de olho no crescimento do crédito público. Esses fatores levam à alta dos juros e à baixa do câmbio.





