Artesanato é terapia em posto de saúde
PUBLICAÇÃO
sábado, 07 de junho de 2003
Lucinéia Parra<BR>Equipe da Folha 
Maringá - Um grupo de donas de casa de Maringá encontrou no artesanato uma forma de combater o estresse e a depressão. Confeccionar cestarias, peças de fuxico e macramê em toalhas se tornaram terapias indispensáveis para o grupo de mulheres. Mais do que aprender uma nova atividade, as aulas servem para ampliar as relações de amizades e, em muitos casos, funcionam como uma válvula de escape para quem deseja sair da rotina do cuidado com a casa.
A alternativa de terapia ocupacional foi criada pela enfermeira Ana Lúcia Reis e pela psicóloga Claudia Cristina da Silva, que prestam serviços no Posto de Saúde Parigot de Souza - bairro da zona norte de Maringá. As duas profissionais perceberam que o grupo de donas de casa procurava com muita frequência o posto de sa© úde do bairro e na maioria das vezes apenas para medir a pressão arterial ou simplesmente para conversar com os funcionários da unidade.
''Nem sempre elas queriam ser consultadas pelo médico, mas iam até o posto para falar dos seus problemas e conversar com as outras pessoas'', diz Ana Lúcia. Ela afirma que, por ficarem sozinhas em casa todos os dias e realizarem serviços repetitivos como são os afazeres domésticos, as donas de casa estavam deprimidas e em muitos casos, estressadas.
Detectado o problema, Ana Lúcia e Claudia Cristina entraram em contato com agentes do Programa Saúde da Família (PSF) com o objetivo de estruturar o que ficou denominado projeto ''Fazendo Arte''. Em visitas às donas de casa, as agentes de saúde foram convidando as mulheres procurando salientar os benefícios de uma tarde em convívio com outras pessoas. O artesanato, em certo aspecto, explica a enfermeira, era apenas um ''pano de fundo'' para despertar o interesse das mulheres em uma nova atividade que não fosse as tarefas do lar.
O grupo foi formado e o curso gratuito de artesanato teve início em outubro do ano passado. O salão utilizado para as aulas é emprestado gratuitamente à Secretaria de Saúde e as professoras prestam trabalho voluntário. Já o material utilizado, por ser de baixo custo, é de responsabilidade de cada aluna. As primeiras aulas foram de cestaria. Utilizando jornais e revistas promocionais de supermercado, as donas de casa aprenderam a fazer peças para decoração de ambientes.
Desde as primeiras aulas, explica Ana Lúcia, nunca houve intenção de forçar as mulheres a fazer um total de peças por dia ou de dar continuidade ao artesanato em casa. A idéia era garantir a reunião delas para uma atividade relaxante. ''Até hoje funciona assim, ou seja, cada uma faz a quantidade de produtos que deseja e aquilo que lhe dá mais prazer'', garante a enfermeira.
Segundo ela, mais do que artesanato, as mulheres se reúnem para trocar idéias, bater papo e fazer novas amizades. O resultado foi imediato. Com exceção de algumas participantes do grupo que, por problemas variados de saúde - diabete, controle de câncer de mama, etc - precisam realizar exames médicos periódicos, a maioria trocou o posto de sa© úde pelas aulas de artesanato. Atualmente, o ''Fazendo Arte'' conta com 30 mulheres, que se reúnem todas às quintas-feira das 14 às 16 horas.


