Artes de bem administrar um município
O ex-prefeito de Londrina Milton Menezes afirmava que administração pública se faz mais com boa vontade do que com dinheiro. Ele pregava e aplicava essa fórmula, e se espelhava (também) no que era uma de suas referências: o prefeito da capital paulista Prestes Maia. Menezes era um governante respeitado, como eram na maioria, naqueles tempos, os que atuavam na vida pública. Ele foi reeleito, em mandato seguinte. Muitas leis e exemplos de Londrina eram adotados pelos prefeitos dos municípios da região. A Câmara de Vereadores era um organismo honrado e o Poder Judiciário tinha mais participação na vida do município.
Requisito de um prefeito é cercar-se de bons auxiliares, dar-lhes liberdade de ação naturalmente até os limites razoáveis e cobrar resultados. Se ele é honesto, dá exemplo de honestidade e assim cria igualmente um clima de confiança da população e uma maior disposição para que pague os impostos desde que não sejam abusivos. Mas ser honesto não é apenas o comportamento de não apropriar-se do dinheiro público. Porque não realizar obras é também uma forma de roubo.
Desperdiçar tempo no poder, tirando a oportunidade de outro que eventualmente iria produzir mais e melhor em benefício dos munícipes, é um modelo de má administração. Ser honesto é apenas o dever mínimo. Os serviços de saúde, educação, preservação do ambiente urbano e outras tarefas rotineiras podem ser realizados pelo corpo funcional de cada setor que tem anos de carreira independendo de ação direta do prefeito. A este cabe manter boas diretrizes (ou estabelecer novas) e fiscalizar. Apenas esses serviços não robustecem a ficha de um administrador público e não são razão para um troféu. Só grandes obras (e grandes mudanças) marcam grandes prefeitos. Por isso é preciso ter a ousadia de abandonar estruturas e mentalidades velhas e implantar coisas novas, destas que causam revolução e revisão de conceitos e caiam no agrado do povo pela serventia. Quando se fala do Plano Diretor, ressalta-se a relevância de traçar projeções sólidas para o agora e para os amanhãs. Porque vícios de origem perduram e podem ser mais difíceis de remover depois. Somar grandes empreendimentos aos bons serviços básicos é uma forma populista de governar.
Melhor que um prefeito não se afunde no gabinete mas que corra a cidade, bata à porta dos palácios em busca dos recursos possíveis e disponibilizados, bastando a insistência e os correspondentes projetos de viabilidade. Será preciso viajar para as cidades e ver o que de avançado está sendo feito e também deslocar-se para fora do País, para conhecer. Este será um bom emprego do dinheiro público.





