Quem ficou parado em algum semáforo de Londrina nas últimas semanas já deve ter dado um trocado a Inácio Cabrera. Uruguaio de Montevidéu, 24 anos, o palhaço e malabarista está na cidade há 25 dias, e no Brasil há dois meses. ''Viajo de cidade em cidade há cinco anos, de carona, ônibus. No Brasil, já passei por Porto Alegre, Caxias do Sul e Criciúma'', diz Cabrera.
Antes, ele havia passado pelas principais cidades argentinas - Buenos Aires, Córdoba. No malabarismo, arte que domina há quatro anos, Cabrera encontrou uma forma de subsistência para sua rotina errante. ''Há uns anos, em países como Equador, Argentina e Uruguai, o malabarismo viveu um auge, muitas companhias surgiram, estavam por toda parte. Fui influenciado por esse movimento e até trabalhei num grupo circense. Tudo foi decorrente do meu próprio interesse, já que ninguém da minha família nunca atuou em nada do tipo'', explica o palhaço.
A mãe de Cabrera é ''pesquisadora'', nas palavras do artista; o pai é falecido. Filho único, ele retorna a Montevidéu apenas uma vez por ano. ''Só para matar a saudade. Escolhi essa vida na estrada'', afirma.
Nos sinaleiros, Cabrera sempre faz o número habitual: joga o chapéu ao chão, para se apresentar, equilibra os malabares nos pés, mantém vários ao mesmo tempo no ar. Com caretas, ironiza motoristas que não dão trocado e cobradores de ônibus que não o deixam entrar no veículo para fazer sua apresentação. Por vezes, o palhaço periga saltar do status de mera curiosidade para chamada de página policial, já que se enfia no meio dos carros em movimento, quando abre o sinal, para colher ''contribuições''. ''Faço uns quinze reais por dia'', explica Cabrera.

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