Mesmo quando execrados publicamente por acusação de irregularidades, certos políticos não perdem a arrogância, assumem postura de menosprezo para com outras autoridades e revelam quais são seus reais interesses. Lideranças de partidos minimizam denúncias e defendem o corporativismo. Não se preocupam com prejuízos ao erário e à moralidade e só respeitam a opinião pública quando há risco de perderem votos. Para esses maus representantes os eleitores são como rebanhos. Escândalos de corrupção não os molestam e, no íntimo, não lhes ferem a integridade. Só o temor de perderem reeleições lhes tira o sono.
O presidente estadual de um dos partidos, referindo-se ao envolvimento de vereadores de Londrina em denúncias de corrupção, desqualificou o Ministério Público (MP) ao dizer que denúncia do MP tem pouco valor para ele, e que a maioria dos casos levantados nessa esfera ''não dá em nada''. Certo que há casos em que a Polícia investiga e prende, depois de árduas e às vezes perigosas diligências, e que Promotorias caminham junto e desvendam falcatruas - no campo político e fora dele - e depois ocorre de a Justiça libertar acusados, pela elasticidade propiciadora da lei. Quem tem dinheiro paga bons defensores, e estes sabem onde encontrar as brechas legais. Daí dizer-se que cadeia é para pobres, mas por trás dessa afirmação, que tem muito de verdade, está a insuficiência de recursos para que estes contratem bons advogados, e muitos não podem contratar nenhum. Preocupados não com a moralidade mas com o desgaste político, há os que fazem referência apenas a essa perda. Mas há abuso quando ironizam que se houver que tomar providências ''com todo o mundo que é acusado, não sobra ninguém para fazer política''. Esta é uma revelação de quem convive no meio político e deve saber das coisas, e ao mesmo tempo uma debochada ironia.
Em Londrina, um vereador bate no peito e diz publicamente que quer ver quem conseguirá provas contra ele. O presidente de seu partido declara que tal vereador é um companheiro e ''continua tendo nosso respeito'', mesmo depois das denúncias. Ao invés de palavras de cautela numa hora destas, o que se ouve são coisas assim. É ruim ouvir pronunciamentos como os citados, quando a opinião pública espera revelações de preocupação por parte das lideranças partidárias e dos próprios acusados. E espera também pedidos de desculpa. Em nações mais desenvolvidas politicamente, isso acontece, havendo casos em que, envergonhados, os políticos e governantes surpreendidos em escândalo tomam medidas extremas contra si mesmos. ''Se eu ficar impedido de disputar a reeleição este ano não vou pedir o afastamento do partido'' (como foi sugerido), declara outro vereador denunciado. Vê-se que se agarra ao poder, demonstrando que para ele é isso que conta.

mockup