Os contribuintes brasileiros - patrões, empregados, profissionais liberais ou autônomos - devem terminar 2010 pagando R$ 1,27 trilhão em impostos federais, estaduais e municipais, segundo cálculo do ‘‘impostômetro’’ da Associação Comercial de São Paulo. Isto é muito ou pouco? Basta dizer que o valor é recorde e representa crescimento nominal de 15,9% em relação à arrecadação de 2009.
  Nenhum indicador das múltiplas atividades econômicas; nenhum reajuste de salário por categorias profissionais aumentou tanto. O aumento dos impostos só é comparável - mas perde de longe - aos aumentos reais de salários que os congressistas se deram, semanas atrás. Para eles e para a presidente da República e ministros. Uma coisa tem a ver com a outra, é claro.
  Que ninguém duvide da fidelidade da apuração desses valores. O Impostômetro está instalado no centro de São Paulo desde 2005. Em seu painel luminoso, os cidadãos podem acompanhar a evolução dos impostos pagos pelos brasileiros. O Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário (IBPT) é o responsável pelo cálculo dos valores divulgados.
  A notícia (da Folhapress e Agência Brasil) que fala sobre a fabulosa arrecadação, inclui declarações do presidente da Associação Comercial de São Paulo, Alencar Burti. Segundo ele, está na hora de passarmos a olhar a administração do Estado brasileiro como uma empresa, que deve ser gerida com eficiência. ‘‘Por isso, é preciso promover uma racionalização dos gastos públicos, para que possamos gastar menos e melhor, dando retorno aos contribuintes dos impostos pagos oferecendo melhores serviços na saúde, educação e segurança, além dos investimentos em infraestrutura para assegurar um crescimento sustentado para o país.’’ Apenas discurso. Há tempos que se exige racionalidade nos gastos públicos e os governos não escutam.
  A portentosa arrecadação não deveria incomodar. Fruto do fomento econômico, ela indica riqueza - a ser distribuída. O que incomoda é a ineficácia dos serviços públicos.

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