Arrastão azul
'Agora é Lula'. O mote da campanha petista à Presidência da República foi tomado emprestado pela equipe de marketing do tucano José Serra com tom de ameaça. Depois de Roseana Sarney e Ciro Gomes fora do páreo, os partidários da candidatura governista voltam a artilharia para o líder nas pesquisas de intenção de voto, Luiz Inácio Lula da Silva.
Mal abriu vantagem sobre o arquirival Ciro Gomes, José Serra inseriu em seu site de campanha uma mensagem propondo que os leitores se integrem ao ''pelotão 45'' (número da candidatura tucana) e adotem o que chama de 'voto mais que útil', desencadeando o início do ''arrastão azul'' (a cor da propaganda governista). Por voto útil, entenda-se optar por Serra e evitar a ''ameaça'' de uma eventual vitória petista no primeiro turno.
A tese parece assada no forno da cozinha tucana. Espalhar o medo de Lula no Poder pode funcionar mais uma vez a favor da incansável equipe instalada no Planalto, que quer bis. Além disso, garantiria Serra na segunda etapa da disputa, enterrando de vez as chances de Ciro Gomes.
Com mais tempo no rádio e televisão, a campanha de José Serra consolida a pecha de Ciro Gomes como destemperado e cola em Lula o rótulo de despreparado para governar. Sem compromisso com auto-crítica, Serra se coloca como única opção em equilíbrio e competência, bravata que os últimos anos de administração pública no Brasil desautorizam. Se a memória do brasileiro não falhar na hora do voto, talvez o ''pelotão do arrastão'' seja obrigado a assistir um filme novo na tela política brasileira. 'A liberdade é azul', quem sabe.
Ruth Meira





