Já imaginou passar 24 horas seguidas desenvolvendo um projeto arquitetônico? Pois foi por essa experiência que passaram cerca de 35 alunos de pós-graduação em Arquitetura da Universidade Estadual de Londrina (UEL), no último final de semana. O ''desafio'', chamado de Charrete, teve origem na França do século 19, e desde então é usado por professores e alunos para aprimorar a prática profissional.
''É como se você carregasse um carrinho, ou uma charrete, com dados, avançasse com eles, para no final 'despejá-los' no resultado final, que é o projeto. No escritório, no cotidiano profissional, fazemos isso constantemente'', explicou o professor convidado Jean Carlo Gasperini, da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAU USP).
Neste ano, o desafio dos alunos, divididos em grupos, foi desenvolver o projeto do prédio de uma sala de espetáculos multiuso, para 1,5 mil pessoas, no campus da UEL, inclusive com o entorno da obra, acessos e saídas. Para isso, os alunos tiveram três horas de exposição sobre o tema e às 12 horas de sábado foi dada a partida.
Até às 12 horas de domingo, os alunos tiveram tempo para apenas alguns cochilos e lanches rápidos para que tudo ficasse pronto.''Foi desgastante, mas uma boa experiência'', definiu o aluno de pós-graduação Gustavo Bruski de Vasconcelos, de 25 anos. ''A gente fez um revezamento para poder dormir um pouco e não deixar o projeto parado'', disse a estudante do 4º ano de graduação em Arquitetura da UEL, Melina Matos, de 21 anos.
Ao final das 24 horas, os projetos passaram por avaliação. O objetivo não foi definir vencedores, mas avaliar idéias, soluções e acertos e apontar eventuais falhas de cada projeto. Afinal, passar um dia inteiro ''mergulhado'' nos conceitos da arquitetura já faz parte da vida desses profissionais.

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