Arma em casa resultando em morte acidental
O fato não é novo mas não tem servido de lição. É o de famílias terem armas de fogo em casa e, pior, as deixarem ao alcance das crianças que acabam brincando com elas e, às vezes, gerando tragédia fatal. Como aconteceu recentemente em Londrina com o menino de 12 anos que matou o irmão de 8, ao manusear um revólver já enferrujado mas que estava carregado. A televisão ensina, e ao terem em mãos uma arma de brinquedo, as crianças ''atiram''. Sem saber, fazem o mesmo quando uma arma é de verdade. Culpa de certos programas da TV e de jogos eletrônicos, e também dos pais.
No último plebiscito sobre o desarmamento a população brasileira optou pela posse e uso individual de armas, e os órgãos competentes cuidaram de estabelecer as regras, como as do registro e da licença para o porte. Mas, com ou sem licença as armas disparam e matam. E, em mãos de crianças, fazem vítimas inocentes: o que comete o infortúnio de acionar o gatilho por brincadeira e o que morre ou sai ferido. A não ser em raríssimos casos, o uso de arma não tem beneficiado quem a tem. Ao contrário, é um perigoso alerta ao bandido, que por ser mais habilidoso e já propenso a matar, saca primeiro. Não há nenhum sentido no porte de arma pelos civis porque eles não sabem manuseá-las. Já sem arma uma simples reação contra um assaltante pode resultar em morte, não do bandido mas de quem tenta resistir. Com arma, tanto pior.
É difícil o controle de alguém que vê um familiar sendo molestado por bandidos, mas a dolorosa estatística demonstra que reagir é um erro. No episódio desses dois meninos, a mãe disse não saber ''de onde veio essa arma'', mas alguém a tinha e não se desfez dela, e isto é de uma irresponsabilidade sem tamanho. Os acidentes acontecem mais facilmente quando os meios para isso são disponibilizados. Uma arma é sempre tentadora para as crianças, porque nos filmes e jogos elas produzem efeitos surpreendentes que atraem a curiosidade infanto-juvenil.
Mesmo pessoas adultas sentem uma sensação de poder quando estão de posse de uma arma - no coldre, na bolsa, no carro ou em casa. Se todos resolvessem inverter o voto plebiscitário e destruísse suas armas, até os bandidos teriam menos quantidade delas, porque sabe-se que elas em grande parte são roubadas das residências e de seus portadores. Se é preciso a sociedade ser defendida, esta é função policial, mas se isto também não é uma garantia plena, ter arma própria é uma falsa sensação de segurança.





