A equipe econômica argentina está preparando a criação do tão anunciado imposto sobre as grandes empresas, que foram favorecidas pela ‘‘pesificação’’ (passagem de dólares para pesos) de suas dívidas depois da desvalorização da moeda nacional, no início do ano. O imposto seria aplicado por uma única vez, e seria de 6% sobre o total da dívida pesificada, sempre que esta seja superior a US$ 714 mil. Com este tributo, a equipe econômica espera arrecadar US$ 604 milhões.
Segundo o vice-ministro da Economia, Jorge Todesca, o novo imposto ‘‘não implicaria em mais sacrifícios para a população mas, sim, em que se estabilizem as variáveis da economia’’.
Mas, enquanto no ministério da Economia Todesca elabora o novo imposto, do outro lado da rua Hipólito Yrigoyen - na Casa Rosada, a sede do governo -, os assessores do presidente Eduardo Duhalde afirmam que não estão sendo planejados novos tributos.
O secretário-geral da presidência, Aníbal Fernández, sustentou que o governo não pretende aumentar ou criar impostos. ‘‘Em uma situação tão complicada como esta, aumentar a pressão tributária significa também estimular a evasão, o que, no fim das contas, faz que se arrecade mais ou menos a mesma quantia’’.
O próprio presidente Duhalde, que havia decidido a criação do imposto sobre as empresas dias atrás, neste fim de semana declarou que - ao contrário do que o FMI pede - ‘‘não é conveniente’’ a criação ou aumento de tributos.
Simultaneamente, enquanto o governo nega o imposto e o projeto do ministério da Economia estabelece uma porcentagem de 6% para dívidas acima de US$ 714 mil, na Câmara de Deputados circula outro projeto, a ser analisado nos próximos dias no plenário, que aplica um imposto de 5% sobre dívidas acima de US$ 2,1 milhões.

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