A obtenção do status de área livre de febre aftosa sem vacinação para o Paraná divide opiniões. De um lado está o governo, com o argumento de que o título beneficiará economicamente o Estado; de outro está a cadeia produtiva da carne bovina, contrária ao projeto. Todos os argumentos apresentados são válidos e devem ser analisados, sob pena de uma decisão tomada agora trazer prejuízos maiores futuramente.
O trauma gerado no Estado há quase dez anos a partir da confirmação de focos de aftosa em sete fazendas localizadas nas regiões Norte e Noroeste precisa ser superado. Naquela época nenhum animal apresentou sinais clínicos da doença mas, mesmo assim, cerca de 6 mil cabeças foram abatidas e enterradas em valas abertas nas propriedades. Foram registrados prejuízos incalculáveis porque o Estado teve que cumprir um período de vazio sanitário, comércio com outros Estados e exportações foram suspensas. Além disso, a suinocultura também foi prejudicada. A credibilidade custou a ser recuperada.
Agora, o cenário parece inverso. A obtenção da área livre beneficiará principalmente a cadeia de suínos. Segundo informações do governo, o status facilitará o aporte de investimentos milionários que impactarão positivamente na economia como um todo e na geração de empregos. Os benefícios são inúmeros e, à primeira vista, incontestáveis. No entanto, importante acrescentar que os riscos também devem ser considerados – e avaliados.
A fiscalização estadual estaria preparada para "fechar" os milhares de quilômetros de fronteiras? Sabe-se que o trânsito de animais entre Estados e até mesmo países vizinhos é intenso. Em um momento de crise econômica, o governo tem condições de contratar mais profissionais e até mesmo equipar essa equipe para a correta realização do trabalho? O que não pode acontecer é que paire mais nenhuma suspeita sobre a sanidade do rebanho estadual. Neste caso, os prejuízos seriam ainda maiores e imensuráveis.

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