ÁREA LIVRE? - Paraná está protegido contra Febre Amarela
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sexta-feira, 11 de janeiro de 2008
Fábio Cavazotti<br>Reportagem Local 
A Febra Amarela voltou a assustar o País após as mortes registradas na região Centro-Oeste. No Paraná, o sinal de alerta foi despertado pela morte do empresário Almir Rodriges da Cunha, de 47 anos, nessa terça-feira, em Maringá. Nesta entrevista exclusiva à FOLHA, o secretário estadual de Saúde, Gilberto Martin, diz que pode ter havido precipitação na divulgação da suspeita da doença no Estado. ''É mais provável que se trate de outra doença'', afirmou. Segundo ele, o risco da Febre Amarela voltar ao Paraná é muito pequeno.
Apesar da orientação para que as pessoas procurem as unidades básicas de saúde para se vacinar - especialmente quem vai viajar para o Centro-Oeste e Norte do País -, Martin pediu calma e descartou a possibilidade de faltar vacina. Outra orientação é que a população avise a Secretaria de Saúde caso encontre macacos mortos, especialmente perto de matas.
Qual o risco da Febre Amarela chegar ao Paraná?
É muito pequeno. O vírus da Febre é circulante na natureza, principalmente nas regiões Norte e Centro-Oeste. Mas também existe uma faixa de transição que o Ministério da Saúde considera com risco potencial que atinge o oeste de Estados da região Sul e Sudeste, incluindo o Paraná. O sinal de alerta aconteceu pela morte de um macaco perto da região urbana em Goiás e Distrito Federal. Com relação ao Paraná, não temos registro de casos nem de humanos nem de macacos com a presença do vírus. A Secretaria faz um monitoramento constantemente dos macacos da Ilha Grande, no rio Paraná, a partir da regional de Umuarama e do município de Porto Rico, e não há esse fato.
E a morte de Maringá?
Este caso não tem confirmação de que seja de Febre Amarela, inclusive é muito provável que não seja. Para um paciente com esse quadro, se pensa em quatro possibilidades - dengue, hantavirose, Febre Amarela e leptospirose -, e a Febre Amarela é a menos provável do ponto de vista epidemiológico. Além disso, o próprio processo de notificação foi equivocado, porque o hospital (Santa Rita) não fez imediamente a notificação junto à saúde pública e foi informado como um possível caso apenas pelo fato de que o paciente passou o feriado numa região de risco endêmico. Pela informação que tive, talvez tenha sido um pouco precipitado. A maior probabilidade é que não seja. Outra coisa, que não minimiza o problema nem pode retornar a vida do paciente, é que, se for confirmada a doença, houve negligência da pessoa, porque ela foi para área endêmica e não tomou a vacina.
Quantos paranaenses são vacinados?
Uma informação importante é que o Paraná, embora não esteja sob área de risco, desde 1999 incluiu no calendário a vacina contra Febre Amarela em 17 das 22 regionais de saúde do Estado. Hoje, dos 10 milhões de paranaenses, temos 7,2 milhões já vacinados. As outras cinco regionais, que tem menor risco, começaram a implantar a vacina rotineira em 2002. São elas: Curitiba (2 Regional), Ponta Grossa (3), Irati (4), União da Vitória (6) e Pato Branco (7).
Como está o estoque de vacinas no Paraná?
Temos 160 mil vacinas no nível central, em Curitiba, fora as vacinas que estão nos estoques das quase duas mil unidades básicas de saúde espalhadas pelo Estado que têm sala de vacinação oficializada. Também já temos solicitado ao Ministério mais 100 mil doses, que estão para chegar nos próximos dias. A disponibilização da vacina sofreu uma certa limitação por conta da situação da região Centro-Oeste. O Ministério está priorizando aquela área e fazendo a manutenção das demais regiões do País.
Se três milhões de parananeses têm que tomar a vacina, não há risco de faltar?
Todas as pessoas que não tomaram a vacina deverão procurar o posto de saúde para receber a vacina, mas a prioridade, incialmente, é para as pessoas que vão para áreas endêmicas. Agora, veja, dos três milhões que faltam para vacinar, cerca de dois milhões estão no município de Curitiba - que tem risco epidemiológico muito baixo porque quase não tem nenhum mosquito Aedes Aegypti circulante (taxa de infestação de 0,003). Então, não há diferença tão grande assim entre a oferta de vacina e a necessidade das pessoas. A quantidade de vacina que temos é mais que suficiente para irmos atendendo a demanda mesmo com essa intensificação e o Ministério tem enviado as solicitações que temos feito.
Qual a orientação da Secretaria para a população?
Se a pessoa encontra uma fila muito grande no posto, pode deixar para o dia seguinte. Não há necessidade de ficar virando a noite em fila porque não há risco de faltar vacina. Outra observação: se a pessoa morar próximo de uma mata e detectar algum macaco morto, deve avisar a Secretaria de Saúde porque o bicho será recolhido para realização de exames. Isso sim é uma atitude positiva, porque estamos fazendo a vigilância dos macacos.


