O processo de globalização tem trazido novos desafios aos países em desenvolvimento. Londrina, como uma das maiores cidades do Sul do País, não fica imune aos desafios apresentados às economias locais em cenário de crescente internacionalização. A fim de melhor utilizar as potencialidades naturais, humanas e do parque produtivo da região, foi elaborado pelo ®MDNM¯Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Londrina (Ippul), com apoio da sociedade civil organizada e diversos órgãos técnicos, um plano estratégico de desenvolvimento regional denominado Arco Norte.

Este plano está embasado na crescente conurbação do Norte do Paraná, a grande interação econômica, social e política e o território delimitado pelas bacias hidrográficas comuns que compõem a região. O plano prevê a integração e gestão compartilhada do território na área de abrangência dos municípios de Jataizinho, Londrina, Ibiporã, Cambé, Rolândia, Arapongas e Apucarana, redesenhando a metrópole regional.

Tendo como referência o Zoneamento Ecológico Econômico (ZEE) para desenvolvimento do potencial socioeconômico e agroambiental, o plano deve garantir melhoria da qualidade de vida, gerar oportunidades para todos, fortalecer a economia regional, promover a proteção ambiental e criar novos atrativos de investimentos. São previstas ações no campo de gestão de bacias hidrográficas (Acquametrópole), tratamento adequado e integrado dos resíduos sólidos e saneamento ambiental. No plano de desenvolvimento do potencial econômico da produção agrícola são previstas atividades que lhe agreguem valor, com incremento à potencialização de uso do solo, desenvolvimento da agricultura orgânica, fruticultura e floricultura. Pretende-se igualmente promover arranjos produtivos e institucionais com incentivos à agroindústria de pequeno, médio e grande portes, complementados pela criação de um Centro de Referência Alimentar para certificação de produtos da região (selo terra roxa).

A atração de investimentos públicos e privados e a integração dos planos diretores deverão viabilizar a criação de distrito industrial regional integrado a um sistema logístico e multimodal de transporte (ferrovia, rodovias e aeroporto internacional de cargas). Prevê-se também a integração do transporte de passageiros e de equipamentos que potencializem o turismo, especialmente o rural e de eventos. Com porte similar ao do aeroporto de Viracopos, em Campinas, o aeroporto internacional de cargas e passageiros servirá como alternativa para distribuição dos bens produzidos em toda região para o mercado interno e externo. Sua abrangência suprarregional deve atender o Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Mato Grosso do Sul e sudoeste de São Paulo.

Com uma área de aproximadamente 5.700 hectares, o sítio aeroportuário definido pelo Ministério da Aeronáutica em 2005 comportará um complexo com infraestrutura como: galpões alfandegados (porto seco), empresas de logística de transporte e armazenagem, distrito industrial, parques e centros tecnológicos, hotéis, atividades de apoio, etc, permitindo um novo patamar de desenvolvimento regional. Esse ''aeroporto cidade'' fortalecerá todo o parque produtivo e agregará à região um diferencial competitivo em relação às demais regiões do Brasil para a atração de empresas e negócios que necessitam desse sistema logístico para atuar globalmente.

Às vésperas da eleição de novo prefeito espera-se que os candidatos, que já assinaram o termo de compromisso, adotem o plano como norteador do desenvolvimento local.

LUIZ PENTEADO FIGUEIRA DE MELLO é diretor de Planejamento do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Londrina

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