Árbitros erram porque tentam demais não errar - Valdir de Córdova Bicudo
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 15 de julho de 1998
Valdir de Córdova Bicudo 
Supostos erros cometidos pela arbitragem no futebol - assunto comumente discutido durante a Copa do Mundo da França - acontecem porque os árbitros tentam demais não errar. A conclusão é de um pesquisador alemão da Universidade Livre de Amsterdã (Holanda), publicada pela conceituada revista britânica New Scientist.
O pesquisador Raymond Verheijen foi incumbido pela Associação Alemã de Futebol de estudar a performance dos melhores árbitros que atuam na Alemanha. Ele organizou um torneio com quatro equipes. Cada partida tinha uma hora de duração, dividida em três períodos de 20 minutos, e em cada período um árbitro diferente apitava.
Feita a média após o torneio, para uma partida com duração de 90 minutos (tempo oficial), cada árbitro errou 23 vezes (um erro a cada 4 minutos), número considerado bastante elevado. O nominado pesquisador, de posse dos vídeos gravados realizou vários estudos para uma análise mais aprofundada e chegou a duas conclusões.
A primeira é que os erros acontecem com maior frequência quando os árbitros estão mais próximos do lance. A distância média foi de 12 metros. Quando acertaram, a distância média jogada foi de 17 metros. A pesquisa aponta que a distância ideal é de cerca de 20 metros do lance.
A segunda é que os erros cometidos pelos árbitros ocorreram a uma velocidade acelerada (média de 4 metros por segundo). Decisões corretas da arbitragem ocorreram a uma velocidade média de 2 metros por segundo.
Para o pesquisador, se a Fifa desejar melhorar o desempenho da arbitragem mundial, deve incentivá-los a acompanhar as jogadas a uma determinada distância, sem ficar correndo junto com a bola para sempre tentar estar em cima do lance. Dessa maneira, posicionamento e atenção contariam mais do que o preparo físico, o que segundo o pesquisador alemão, daria crédito a árbitros com mais idade.
A Fifa limitou a idade de 45 anos aos árbitros do seu quadro internacional, alegando justamente que após atingirem essa idade eles não têm condições de correr tanto, durante uma partida, quanto os mais jovens.
Na Copa da França, a média de idade dos 33 árbitros foi de 42 anos, e apenas dois árbitros tinham a idade-limite: Pirom Ur-Prasert (Tailândia) e Marc Batta (França) que dirigiu a partida das oitavas-de-final Brasil 4 X 1 Chile. Já nas partidas efetivadas nas quartas-de-final, com a dispensa de 23 árbitros a média de idade da arbitragem caiu para 40 anos.
Observei atentamente mais de 45 arbitragens da Copa da França, e pude constatar que nisso o evento apresentou nível apenas regular. Apenas três árbitros me impressionaram: Urs Meir (Suíça), Pierluigi Colina (Itália) e Rune Pedersen (Noruega).
- VALDIR DE CÓRDOVA BICUDO é ex-árbitro de futebol


