Arapongas reciclando pneus usados
O pneu usado era um tipo de rejeito para o qual não havia solução, mesmo nos países mais adiantados. Até que se descobriu uma forma de reciclagem, com o aproveitamento dos seus componentes: a borracha ou material sintético e os seus filamentos de aço. O Paraná já adota essa tecnologia há bom tempo. Inicialmente foi Curitiba, e depois Arapongas passou a ser grande centro reprocessador, conforme reportagem publicada sexta-feira neste Jornal. O volume, nesta cidade norte-paranaense, é de mil toneladas/mês, equivantes a 200 mil pneus de automóvel e 20 mil de caminhões, que se convertem em granulado para asfalto, para grama e piso sentético, tapetes de veículos, solados de calçados, aditivo para cimento, chips, peças de automóvel e outros produtos. Pneu velho agora não é problema mas solução, porque promove desenvolvimento econômico, gera empregos, abastece o mercado com aqueles derivados, arrecada impostos e elimina o problema antigo da estocagem desse detrito, ademais acumulador de água e alimentador do mosquito da dengue. Esses pneus são recolhidos em borracharias, empresas de transporte, prefeituras e depósitos, de várias cidades paranaenses, e também é feita coleta avulsa. A borracha utilizada no asfalto aumenta a resistência e a durabilidade do piso e evita rachaduras, como afirma o diretor da recicladora de Arapongas. O aço é vendido para siderúrgicas. A borracha não é matéria que se biodegrada facilmente, estimando-se que demore 600 anos para isto acontecer. Dois fatores, portanto, são positivos na reciclagem: a eliminação do problema da poluição e da localização desse material, e a geração de uma nova fonte de riqueza. Os Estados Unidos, com grande número de veículos, foi o país que primeiro enfrentou o problema da estocagem desse incômodo rejeito, e era comum ver-se fotografias de montanhas de pneus lançados em vales isolados e inaproveitados para a agricultura e outros fins. O Brasil não ficou atrás quando o automóvel passou a ser comum, como hoje, mas a solução chegou pelo ''milagre'' do reaproveitamento, porque não se acreditava num meio de reciclar borracha. Tudo hoje pode ser reciclado, especialmente o lixo urbano, embora o poder público - muito atrasado nessa área - ainda não tenha descoberto a vantagem do reprocessamento e prefira poluir a periferia das cidades com os denominados ''aterros sanitários'', que de sanitário nada têm. Utilíssima matéria-prima jogada fora - como se jovaga fora os pneus - porque do lixo urbano pode aproveitar-se tudo. Por ora ficam os louvores para Curitiba e Arapongas, que reprocessam pneus; e para Cornélio Procópio, que industrializa o lixo urbano.





