'Aqui não é faroeste', afirma especialista
Para o coordenador do grupo de estudos da violência da Universidade Federal do Paraná (UFPR), sociólogo Pedro Bodê, a falta de confiança na polícia é que está levando as pessoas a se armarem e a tomarem atitudes de reação contra a criminalidade. ''Se essa idéia pega, teremos uma população cada vez mais armada e um excessivo aumento no grau de violência. Aqui não é faroeste para resolvermos as coisas no bang-bang'', pondera.
A reestruturação da polícia e campanhas de desarmamento são apontadas pelo sociólogo como possíveis soluções para impedir que as pessoas queiram fazer Justiça com as próprias mãos. ''Precisamos da polícia funcionando. A polícia que a gente precisa não é essa que está aí'', critica.
Bodê reconhece que a função da polícia é combater os efeitos e não as causas da criminalidade, mas, para ele, a instituição não está cumprindo bem o seu papel. ''O combate aos efeitos está capenga. Policiais envolvidos com corrupção e violência contra a população, uma polícia arcaica, que não tem programa de inteligência ou aprimoramento de técnicas.''
O sociólogo acredita que para ter uma polícia melhor preparada para lidar com conflitos basta apenas vontade política. ''Há excelentes policiais. É preciso escolher as pessoas certas, enfrentar a corrupção e mobilizar a sociedade, que tem papel importante no combate à violência'', diz.
O comandante-geral da Polícia Militar, coronel Gilberto Foltran, diz que as afirmações do sociólogo ''refletem uma opinião muito pessoal''. O fato das pessoas reagirem a assaltos, avalia Foltran, não tem nada a ver com falta de confiança na polícia. Para o comandante, trata-se de uma atitude decorrente da própria contingência humana, que leva o cidadão a agir diante de uma situação de risco, quando a polícia não está presente. ''Não somos onipresentes. Gostaríamos de estar em todas as ruas, todas as quadras, mas existe uma impossibilidade física para isso.''
Foltran nega que a polícia seja arcaica e despreparada. ''Ele (Bodê) está partindo de uma avaliação sem nenhuma base'', rebate. ''A polícia do mundo inteiro atua da mesma forma'', acrescenta. O comandante assegura que os policiais estão constantemente participando de cursos de formação e aperfeiçoamento para atuar em situações de confronto com marginais. Foltran e Bodê só concordam em uma coisa: não aconselham a reação.
O comandante admite que a criminalidade em Curitiba e região metropolitana vem aumentando. ''A criminalidade cresce com a população. O desafio é manter ou impedir que esse crescimento seja proporcional'', avalia. Atualmente, no Paraná a proporção é de um policial para cada 850 habitantes. Curitiba conta com um policial para cada 1 mil moradores e a região metropolitana dispõe de um policial para cada 2 mil pessoas, aproximadamente. O número recomendado pela Organização das Nações Unidas (ONU) é de um policial para cada 500 habitantes.





