Aqui entre nós
A fofoca nasce, brota, cresce e voa contra tudo que nasce, brota, cresce e constrói
A política sempre foi cercada por histórias de conspirações, conluios, fofocas e outras maledicências. Essas maquinações obedecem aos impulsos das vaidades e dos interesses pessoais ou de pequenas facções.
Nos tempos imperiais, utilizavam-se venenos para se destituir alguém que oferecia perigo aos planos de grupos interesseiros. Quando isso não funcionava, partia-se para as vias de fato, como é o caso do punhal cravado por Brutus na trama contra Cezar. Hoje, nestes tempos republicanos, ditos de maior civilização, o punhal e o veneno continuam a ser manuseados numa versão menos dolorosa, mas talvez com maldade superior.
Os balburdios maldosos parecem espectros noturnos a horrorizar os mais incautos. Não escolhem a escala do poder, nem se limitam a fronteiras específicas: todos os cantos do globo, onde há corporações humanas, persistem os enredos envolvendo personalidades políticas.
O que muda de um lugar para o outro é apenas o teor dos comentários e as estratégias empregadas na divulgação. Em contextos mais avançados, os artífices das boatarias servem-se de maior inteligência. Quando querem macular a imagem de determinada pessoa, articulam conversas dotadas de certa consistência, de maneira que, às vezes, conseguem incutir numa grande mentira alguns salpicos de verdade.
Aqui entre nós, a coisa é diferente, muito mais miserável. Os (as) conspiradores (as), pouco inteligentes ou não fazendo uso dessa dádiva magnífica, são levados pela inveja, pura e simples. Armam factóides sem o menor fundamento; boatos tão recheados de calúnias que, quando expostos à luz da verdade, diluem-se por completo.
Por isso, a política, que na sua essência deveria estruturar-se nas virtudes individuais e coletivas, acaba tomando rumos imensamente repugnantes, beirando aos abismos dantescos que delineiam os círculos do inferno medieval.
Tanto melhor para quem consegue se sobrepor às tramas pérfidas dos (as) fofoqueiros (as) e faz do seu engajamento político uma ponte para transportar os anseios e os interesses da população ao paraíso das realizações e das conquistas sociais.
PAULO CEZAR BASILIO é professor e presidente da Câmara de Vereadores de Pinhão (PR)





