Apucarana, por mérito, a Capital do Boné
Por mérito próprio e não pela presença de multinacionais, Apucarana converteu-se na Capital do Boné, porque é a maior fabricante brasileira desse produto. As fábricas dessa cidade norte-paranaense já produzem 80% dos bonés que estão nas cabeças de milhões de patrícios, desde trabalhadores braçais, esportistas e jovens mais sofisticados. São 141 empresas instaladas, produzindo não só esse assessório mas também camisetas, bandanas (espécie de grandes lenços) e tiaras. Existem outras 380 empresas terceirizadas, desde as médias até as denominadas de fundo-de-quintal. E 44 milhões de bonés fabricados por ano - com estrutura instalada para 73 milhões - mais outros 10 milhões de produtos correlatos.
Números que também precisam ser ressaltados são os quase 7 mil empregados, 33% do produto interno bruto do município e sobretudo a alta qualidade. Esses dados foram levantados pelo Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social e mostrados em reportagem deste Jornal. O boné é tão importante fator que Apucarana resolveu criar o Dia do Boné (31 de janeiro), pela primeira vez comemorado este ano. Porque foi nessa data, em 1984, que a primeira fábrica de bonés deu entrada na Prefeitura ao pedido de instalação. Falando-se genericamente, a população inteira de Apucarana usou boné nesse dia, incluindo funcionários, enfermeiras e até médicos de hospitais, porque as fábricas distribuíram gratuitamente 15 mil unidades. Observa-se que além do item da qualidade, Apucarana está também promovendo marketing.
A comemoração do Dia do Boné foi aproveitada para divulgar o Censo Industrial de Arranjo Produtivo Local, uma denominação da Federação das Indústrias do Estado do Paraná para saber o que é produzido no Estado e as potencialidades e de cada região. O objetivo da entidade é saber como pode contribuir para o desenvolvimento do setor, por via de parcerias, cursos de capacitação, novos investimentos e correção de algumas rotas. Um tão expressivo sistema industrial, em expansão, vai enfrentando também exigências de mercado e precisa acompanhar esse ritmo, porque o boné não é apenas um assessório de proteção solar mas também um item de moda, e desfila nas passarelas.
E não basta apenas produzir bem e com qualidade mas difundir esses atributos e alcançar dimensões transnacionais, como em parte já está ocorrendo, porém ainda na proporção de 5% da produção. Já há uma mira voltada para obter certificados de qualidade e intensificar as vendas externas expondo o produto em feiras nacionais e fora do País. O exemplo de Apucarana é mais uma das tantas demonstrações da capacidade e da criatividade dos paranaenses e por extensão dos brasileiros, mesmo enfrentando os entraves governamentais para implantar negócios, manter-se neles e gerar riqueza.





