A Câmara dos Deputados aprovou na madrugada de ontem um pacote contemplando 14 projetos de reajustes salariais para servidores dos poderes Executivo, Legislativo, Judiciário e para a Procuradoria-Geral da República, além de militares. A aprovação da matéria avançou a madrugada, mas não causou polêmica, pois é resultado de um acordo entre a base governista e a oposição. Ainda é preciso votar a reestruturação de carreiras da Defensoria Pública da União. Contabilizando os 15 projetos, a soma de todos os reajustes causará, em quatro anos, um impacto de mais de R$ 50 bilhões nas contas públicas. Para os servidores do Judiciário, o reajuste vai variar entre 16,5% e 41,47%. Os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) terão aumento de 16,38%, com o salário passando dos atuais R$ 33.763 para R$ 39.293,38. Esse pacote de reajuste está sendo costurado desde o ano passado, com negociações entre as categorias e a equipe econômica da presidente afastada Dilma Rousseff (PT). Isso significa que os aumentos estão previstos no orçamento de 2016, argumento usado principalmente pela base governista para justificar a aprovação do pacote.
Os projetos seguem para o Senado, mas como a discussão se dá em um momento em que o governo prevê, para este ano, um deficit de R$ 170 bilhões nos cofres públicos, os ministros da área econômica tiveram que se explicar na manhã de ontem. Ao todo, os reajustes custarão R$ 52,9 bilhões até 2018. Fazem parte dos servidores beneficiados com os pacotes aprovados ontem, magistrados, desembargadores e ministros de tribunais superiores. Mesmo considerando que os aumentos estavam na pauta do Executivo há um ano, é preciso reconhecer que o pacote segue na contramão do discurso de ajuste fiscal do presidente em exercício Michel Temer (PMDB). Certamente, novas críticas surgirão contra o atual governo, que já está sendo chamado para justificar a falta de mulheres no primeiro escalão e o envolvimento de ministros em supostas tentativas de calar a Operação Lava Jato.

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