Faltam poucos dias para o Brasil receber o novo governo. Uma nação inteira espera a entrada em campo do time da presidente Dilma Rousseff. Espera e torce. Agora é Dilma. Mas é difícil imaginá-la sem lulismo e sem petismo, vertentes ideológicas que podem se transformar em amarras burocráticas, sobrepondo aos interesses maiores do governo e da sociedade. Cargos importantes estão tomados por nomes do governo anterior, o que é péssimo, independente da qualidade do governo passado.

Bem, livre ou não para governar com personalidade própria, Dilma terá que demonstrar competência e sorte. Diferentemente de Lula que herdou um projeto de estabilidade econômica bem definido e acabado -e teve a sabedoria de mantê-lo -, Dilma enfrentará um país em que tudo está por ser feito, em matéria de infraestrutura, saúde e segurança. Assume um bom projeto social, a única herança positiva, mas que requer remodelações. E não mais; não encontrará nada mais em termos de grandes projetos para o país. Excetuando-se os programas de benefícios sociais - necessários, convenhamos - qual é o grande projeto a merecer continuidade? O pré-sal, talvez. Não há. E as reformas? Lula quer tocar um projeto de reforma política, mas por que não o implantou em oito anos? Na busca da sustentação política, pode criar embaraços para Dilma. Tudo indica que seja apenas para permanência na mídia. Tomara que seja apenas isso.

Na composição, Dilma já passou pela prova maior, e pior, que foi acomodar interesses do PT e do PMDB, na distribuição de cargos, mas ainda tem osso duro pela frente. Não na distribuição de cargos, mas na convivência e na divisão de decisões. E qual é a dificuldade? O corporativismo e o sindicalismo que, hoje, mais do que nunca, permeiam grandes decisões que afetam a vida do brasileiro. Em alguns casos acabam criando resistência à reformas.

Se o corporativismo atrapalha a gestão em uma universidade não é difícil admitir que coloque empecilhos também ao governo de um país. O reitor da USP fez uma acusação contra o corporativismo. Disse: ''Eles atuam (no caso da USP) norteados pelos velhos métodos dos anos 60. Eles desrespeitam o estado de direito, impondo-se pela força (referindo-se à invasão da reitoria)''. Quando essas pessoas são confrontadas com processos administrativos rebatem com discursos tipo ''estão criminalizando as entidades sociais''. Em se tratando de corporativismo, não há por que descartar ações subjacentes e pontuais que travam medidas de governo. Dilma saberá se livrar de aliados engajados nesses movimentos? A presidente não pode ficar refém de apoiadores de campanha.

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