Os automóveis, ônibus e veículos motorizados de duas ou três rodas, são os maiores responsáveis pelos atropelamentos de pedestres. Se por um lado, a velocidade influencia o espaço que os veículos necessitam para circular, por outro, à medida que a velocidade aumenta os veículos necessitam de mais espaço para circular.
Logo, atravessar a rua distraidamente e ouvindo música no Ipod, Iphone, MP3 ou mesmo conferindo a caixa de mensagens, enviando SMS, discando ou falando ao celular torna-se um dos maiores riscos aos pedestres na era da tecnologia. Tudo isso, nada mais é que a pura falta de autocuidado no trânsito que potencializa riscos de acidentes, mortes ou uma recuperação lenta e dolorosa.
No Código de Trânsito Brasileiro – Lei nº. 9.503 de 23 de setembro de 1997, em seu artigo 69 -, encontramos: "Para cruzar a pista de rolamento, o pedestre tomará precauções de segurança, levando em conta, principalmente, a visibilidade, a distância e a velocidade dos veículos, utilizando sempre as faixas ou passagens a ele destinadas ".
Entretanto, estudos revelam que triplicaram os atropelamentos de pessoas que atravessam a rua com fone de ouvido, enviando mensagem de texto, falando ao celular ou conversando com alguém do lado.
Um dos maiores riscos, independentemente do volume do aparelho, é o da distração. A música aumenta a sensação de isolamento no espaço compartilhado que é o trânsito. Ela desperta emoções, que se juntam aos sentimentos, e faz com que as pessoas " viajem " para outro mundo. Ao ficarem distraídas, as pessoas não se dão conta dos perigos a que estão expostas.
Além da distração, quem atravessa a rua mesmo na faixa de pedestre está alheia ao que acontece à sua volta, deixando de ouvir os sons do trânsito, como as buzinas, freadas, sirenes de ambulância, porque o som que está ouvindo é outro, ou seja, o do fone do ouvido.
Não é só a acuidade e a capacidade auditiva que fica comprometida, mas também a atenção visual para o que está à volta do pedestre. Ouvir música a qualquer volume no fone de ouvido enquanto se está caminhando no trânsito reduz as fontes cerebrais que captam os estímulos externos.
O mesmo Código de Trânsito Brasileiro que diz que o motorista deve dar a vez ao pedestre na travessia da via é o mesmo que diz que o pedestre deve atravessar a rua com autocuidados, atenção, verificando a distância e a velocidade dos carros para uma travessia segura.
Na era da tecnologia, além de conviver no trânsito com motoristas que confiam demais nas facilidades e nos instrumentos dos carros ignorando que nada substitui o condutor, a direção defensiva e a atenção no trânsito, temos de conviver com pedestres com surdez seletiva.
Enfim, sabemos pelo CTB que "o trânsito em condições seguras é um direito de
todos e dever dos órgãos e entidades componentes do Sistema Nacional de Trânsito", no entanto, um dos principais fatores que afetam a segurança do trânsito, tanto de veículos como pedestres, é a via onde eles transitam. Devemos nos conscientizar que andar a pé é transporte.

JULIETA ARSÊNIO
é psicóloga especialista em Comportamento de Trânsito em Londrina



■ Os ar­ti­gos de­vem con­ter da­dos do au­tor e ter no má­xi­mo 3.800 ca­rac­te­res (55 li­nhas) e no mí­ni­mo 1.600 ca­rac­te­res (25 li­nhas).
Os ar­ti­gos pu­bli­ca­dos não re­fle­tem ne­ces­sa­ria­men­te a opi­nião do jor­nal. E-­mail: opi­niao@fo­lha­de­lon­dri­na.com.br

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