É função do professor repassar conteúdos aos estudantes e incentivá-los a pensar e a buscar a melhor forma de assimilar o que é ensinado. Antigamente, acreditava-se que o aluno mais inteligente era o que tinha mais capacidade para aprender, independentemente da disciplina. Esse conceito começou a mudar no início do século XX, quando foram desenvolvidos instrumentos para identificar as diferentes habilidades das crianças.
Essa corrente ganhou força com o desenvolvimento da Teoria das Inteligências Múltiplas, criada por um grupo de pesquisadores da Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, liderado pelo psicólogo Howard Gardner, na década de 1980. A pesquisa identificou tipos diferentes de inteligência, que estão presentes em todos. O que diferencia as pessoas é o nível de desenvolvimento de cada habilidade.
Por isso, especialistas apontam que o ensino pode ser mais eficaz se levar em conta as características de cada estudante. É o que defende uma das coordenadoras do curso de psicopedagogia da Unifil, Viviany Freire. '' Se a criança não tem alguma inteligência bem-desenvolvida é necessário potencializar. Hoje não falamos mais em dificuldades de aprendizagem, trabalhamos com o potencial cognitivo, motivando a criança dentro das habilidades que ela possui'', ressalta.
Em que consiste a Teoria das Inteligências Múltiplas?
De acordo com o ponto de vista comum, se a criança não vai bem nas matérias de português e matemática, não serve para a escola. As outras habilidades não são valorizadas. Gardner afirma que o cérebro tem muitas inteligências que atuam separadas umas das outras.
A inteligência linguística é aquela que lida com o falar e o escrever. A lógico-matemática é perceptível nas pessoas que têm facilidade para resolver problemas da vida prática. A naturalista é ligada aos animais e plantas. A corporal-cinestésica está presente nas pessoas que lidam bem com esportes, dança e teatro. A espacial podemos identificar em quem tem facilidade com mapas e trajetos. Algumas crianças preferem estudar para a prova fazendo paródias, esta é a inteligência musical.
A inteligência interpessoal identificamos naqueles que têm facilidade para se relacionar com outras pessoas e a intrapessoal, naqueles que lidam bem com os próprios sentimentos. A existencial discute a relação com Deus, com questionamentos mais filosóficos.
Como lidar com tantos tipos diferentes de inteligência?
Todos temos todas as inteligências, mas desenvolvemos mais uma do que a outra. Se a criança não tem alguma inteligência bem-desenvolvida é necessário potencializar. Hoje não falamos mais em dificuldades de aprendizagem, trabalhamos com o potencial cognitivo, motivando a criança dentro das habilidades que ela possui.
É possível trabalhar as inteligências múltiplas em sala de aula?
Sim. Basta que o professor planeje atividades que possibilitem isso. É um desafio administrar as diferentes inteligências, mas o resultado é impressionante. Toda inteligência é criativa, analítica e prática. Todo conteúdo ensinado precisa passar por esse processo, tem que ter esse desenvolvimento.
Como devem ser desenvolvidas essas atividades?
Não se trabalha o indivíduo. Formamos oito grupos de inteligências, um trabalha a inteligência linguística, outro a musical, outro a corporal. Posso dar um problema de matemática e cada grupo terá que solucionar de acordo com a sua inteligência. Um faz uma música, outro faz um exercício que permita entender, o da linguística elabora um relatório. Esse trabalho é interdisciplinar e interacional. O aluno não fica na mesmice de sentar, copiar e fazer. Ele tem que pensar. A função do professor é ser instigador do pensamento.
Os professores estão preparados para trabalhar dessa forma?
Ainda temos professores que chegam no quadro passam o conteúdo, respondem e acreditam que o aprendizado se limita a isso. Na nossa proposta o professor tem que ensinar a pensar. Ele deve propor pesquisas, motivar, sair a campo, porque cada aluno vai buscar o conhecimento. Aquele que tem certa limitação vai aprender no seu nível e não vai bloquear aquele que tem muita facilidade. Desta maneira cada um aprende de acordo com a inteligência que tem mais facilidade. O aluno aprende o conteúdo, mas do jeito dele e não do jeito que o professor quer que ele aprenda.

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