Sono é saúde. Por isso, os médicos em geral consideram que é importante que a criança aprenda a dormir o mais cedo possível. É durante o sono que o organismo libera o hormônio do crescimento e o descanso também se reflete no bom humor, aprendizado e bem estar geral da criança.
A neurologista Márcia Assis explica que esses distúrbios não são considerados doença, mas sim uma questão de aprendizado. ‘‘É difícil, mas é preciso criar o ritual do sono e ter sangue frio para ouvir o filho chorar. Com persistência, os benefícios serão para a própria saúde da criança’’, argumenta. Segundo ela, raramente os bebês têm distúrbios do sono por problemas psicológicos, o mais comum é que eles simplesmente não tenham aprendido a dormir.
‘‘Não acredito que seja prejudicial aplicar a técnica de ensinar a dormir. Mais prejudicial é a insônia na família toda. Isso pode persistir. Já atendi casos de crianças de até sete ou oito anos de idade que não dormiam’’, conta a neurologista. Ela diz ainda que muitos pais, na tentativa de proteger e dar carinho ao filho, acabam errando. E alerta: crianças que não dormem bem, dificilmente ficam sonolentas durante o dia, mas sim irritadas e superativas.
Quanto mais cedo o aprendizado do sono, melhor, diz a neurologista. Pode ser que o bebê nem chore tanto se acostumando desde cedo a dormir sozinho no berço. E enquanto bebês, há a vantagem de eles não saírem do berço sozinhos, inventarem desculpas como sede, vontade de ir ao banheiro, etc.
A pediatra neonatologista, Adriana Turin Mori, conta que 7 entre 10 mães que procuram seu consultório reclamam de problemas no sono dos bebês. ‘‘Normalmente bebê acorda mesmo. Até seis meses, como é recomendável o leite materno, é comum que eles tenham fome durante a noite. Depois disso, o normal é que eles durmam pelos menos seis horas seguidas’’, explica. No entanto, a pediatra conta que é muito comum crianças de até três anos tomarem uma mamadeira noturna, o que considera errado.
‘‘Como os pais ficam muito cansados, acabam atendendo rápido e dando logo uma mamadeira. Isso condiciona a criança a um mau hábito de sono’’, diz Adriana. Ela recomenda que haja rotina na hora de colocar o bebê no berço e que os pais atrasem alguns minutos no atendimento durante a noite, principalmente quando ele está só resmungando. ‘‘Se o bebê não tem refluxo, bronquite ou outro problema, o recomendável é que aos dois meses já durma em seu próprio quarto no berço. É só deixar as portas abertas para ouvi-lo’’, conclui.
O homeopata Francis Mourão confirma que a queixa das noites mal dormidas é muito comum. No entanto, ele considera a técnica do deixar chorar polêmica. ‘‘É difícil para os pais deixar um filho chorar. É válido tentar se libertar dessa dependência, mas não precisa ser de uma só vez. No primeiro ano, o bebê ainda está muito vinculado à mãe’’, diz Mourão. Ele acredita que é valido colocar limites, mas recomenda bom senso.

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