Aprender e evitar novas tragédias
Janeiro é chuvoso e todo o veranista que aluga uma casa no Litoral do Paraná sabe que não tem garantia de dias de sol durante toda a temporada. Em 2010, o fenômeno El NiÀa está contribuindo para que as regiões Sul e Sudeste do Paraná tenham um dos verões mais chuvosos dos últimos anos.
O paranaense viu, na semana passada, algumas ruas das cidades balneárias de Matinhos e Guaratuba alagadas e a água invadir casas e hospital. A ponte sobre o Rio Pardinho, na BR-116, bem na divisa entre São Paulo e Paraná, foi interditada pois corre o risco de cair. Isso porque as fortes chuvas da primeira semana do ano causaram a erosão nas margens do rio ameaçando a estrutura da ponte. O trânsito de veículos foi transferido para o trecho da rodovia sentido Paraná-São Paulo e o desvio opera em meia-pista. No dia da interdição, os motoristas que vinham do Estado vizinho a Curitiba demoraram cerca de três horas para vencer o congestionamento de mais de 14 quilômetros. O pior é que ainda não há previsão de conclusão das obras de reparo.
Em janeiro de 2005 a mesma rodovia Régis Bittencourt viu a ponte sobre a represa Capivari-Cachoeira desabar, matando um caminhoneiro e deixando feridas três pessoas.
Voltando a 2010, que começou com tragédias por conta da grande precipitação de chuva no Rio de Janeiro, São Paulo e Rio Grande do Sul. No caso de Angra dos Reis (RJ), só no último dia de 2009 e primeiras horas do Ano Novo choveu 142,9 mm de água - valor normalmente registrado em um mês. Porém, especialistas alertam que qualquer chuva acima de 70 mm é sinal de problemas. Naquele município do Litoral do Rio morreram mais de 52 pessoas vítimas do deslizamento de dois morros.
Se a precipitação de 70 mm de chuva de uma vez só é anúncio de problemas, tragédias podem ser evitadas se o poder público (municípios e Estados) e a população agirem juntos. No primeiro caso, secretarias de Obras e Defesa Civil deveriam antever o problema, impedindo construções irregulares e retirando os moradores de locais de risco antes que deslizamentos e alagamentos ocorressem. Já a população, pode começar a fazer a sua parte não jogando lixo em locais impróprios, respeitando o meio ambiente e aprendendo a interpretar os sinais da natureza.





