APRENDENDO COM O RISCO
Eu era aspirante, tinha me formado em Brasília, em 1983. Tinha como tutor o hoje major da reforma Cosme. Na época, tenente Cosme. Uma pessoa extremamente operacional, otimista. Operacionalmente falando, um exemplo dentro da comunidade bombeira no Estado do Paraná. E ele falou: ''Menino, deu ocorrência operacional, problema teu''. Em Curitiba, à noite, mês de junho e justamente naquela noite deram duas ocorrências, e as duas extremamente graves.
Uma em uma empresa de chá. Era uma bomba com pavio curtinho. Volta e meia dava princípio de incêndio. E naquela noite uma situação muito grave evoluiu muito rápido. Fomos em três viaturas, um total de 27 pessoas. E eu fui comandando, com a minha experiência de quase seis meses de bombeiro, de oficial. Ai me cerquei dos sargentos, que eram pessoas experientes, e discutimos a melhor forma de atuar. Fizemos um cerco, entramos aos poucos e pela própria falta de experiência acabei chegando muito próximo.
Eu e mais dois fomos para cima daqueles ''fornos.'' O local estava muito liso e acabei despencando lá de cima. Caí de uma murada e tive fratura de costela, o que notei só no dia seguinte.
Essa foi minha estreia, com um tremendo acidente. O susto serviu como lição para a carreira.
Naquela mesma noite, na saída de Curitiba, houve um acidente de ônibus. Pelo vulto da ocorrência, hoje deslocamos Defesa Civil, todos os orgãos pertinentes. Na época, era só uma viatura.
Havia pedaços de corpos a 50 metros. A gente é preparado tecnicamente para isso, mas psicologicamente não. Para uma pessoa de 20, 21 anos, que eu tinha na época, isso é inesquecível. Com essa idade dizer quem vai viver e quem vai morrer... Alguns companheiros acabaram desistindo da carreira depois.
Esse não foi o meu primeiro dia de trabalho, mas de incidência operacional de vulto. Foi a minha primeira saída do quartel.





