O aumento de 32,9% nas concessões de crédito consignado em janeiro, em comparação com dezembro de 2012, mostra que as famílias brasileiras começaram 2013 com o orçamento apertado. O balanço, informado pelo Banco Central (BC), revelou ainda um dado preocupante: mais da metade dos empréstimos foram tomados por beneficiários do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
Começo de ano normalmente é um período economicamente difícil para o brasileiro, pois além dos gastos com compras de Natal, viagens de férias e material escolar, há vários tributos importantes vencendo nos primeiros meses, como Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) e Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores (IPVA). É muito provável que boa parte dos ‘’consignados’’ contratados em janeiro tenha como endereço o pagamento desses encargos e dívidas de compras.
A vantagem do crédito consignado é a oferta de juros mais baixos. Mas as prestações sendo descontadas diretamente na própria folha de pagamento do devedor só interessa para os bancos. Nessa modalidade, as famílias não conseguem renegociar o débito, mas podem tomar novos empréstimos e se expor ao risco de se afundar ainda mais nas dívidas.
Infelizmente, os aposentados são os que mais recorrem ao crédito consignado porque justamente têm mais renda baixa. O reajuste da aposentadoria nunca acompanha a elevação dos preços dos remédios e do plano de saúde e os beneficiários do INSS perderam muito poder de compra. E aí que mora o problema: as famílias estão encarando o empréstimo consignado como um complemento de renda e não como uma ferramenta que deveria ser usada apenas em casos de emergência.
Associações de aposentados e entidades que atuam na proteção de idosos devem estar prontos para orientá-los sobre equilíbrio das contas financeiras. Infelizmente, essa população está se mostrando facilmente seduzida por conversas de vendedores que passam a ilusão de que um empréstimo pode resolver toda a crise econômica de uma família.

mockup