Após tiroteio, ladrão é achado no mato
PUBLICAÇÃO
sábado, 27 de setembro de 2003
Equipe da Folha 
O laudo de necropsia de Moisés dos Santos, 21 anos, revela uma morte provocada por um tiro à queima-roupa no fim da tarde de 1º de dezembro de 2001, na inóspita Estrada Velha de Guarapuava, Região Sul de Foz. Os inquéritos militar e civil consideraram legitima a participação de seis policiais no ''confronto armado''.
Os soldados sustentam a tese de tiroteio contra quatro assaltantes de mercado que bateram o carro na fuga e fugiram a pé. Um dos bandidos se jogou no chão. Sob intenso tiroteio, outros três correram. Moisés, um dos que correram, acabou morto no local. Em seus depoimentos, nenhum dos seis policiais soube dizer quem efetuou os disparos fatais.
Processado em 98 por receptação, Moisés morreu com um tiro à queima-roupa atrás da orelha direita (com área de esfumaçamento e tatuagem). Levou ainda um tiro no peito direito, embaixo do pé direito e no tórax. E sofreu escoriações no cotovelo e no ombro esquerdos, no nariz e uma ferida corto-contusa no rosto.
O inquérito foi arquivado em 26 de junho de 2002 a pedido do promotoria de Justiça, que considerou os ''elementos probatórios constantes neste protocolado não indicam a presença de dolo e muito menos caracteriza qualquer espécie de culpa'' e porque os policiais agiram ''no exercício regular do direito''.
Depois da ordem judicial, o laudo da balística das armas de fogo e munições usadas no tiroteio foi anexado aos autos. A perícia, feita em 14 de junho de 2002, só foi anexada em 22 de agosto de 2002. Ela atesta que os dois projéteis retirados do cadáver (um da cabeça e um da coluna) de Moisés foram disparados pelo soldado Fábio Pacifico dos Santos.
Ouvido em 2001, o soldado disse que ''após ser dominado o elemento que estava no chão foi realizado busca no matagal na tentativa de localizar os meliantes; que minutos após os policiais adentraram no matagal e avistaram um elemento (Moisés) caído no chão com ferimentos de arma de fogo''. Disse ainda que não percebeu quando o mesmo foi alvejado e nem quem dos policiais tenha o alvejado''.(AP)


