Após eleições, País retoma atividade
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sábado, 05 de outubro de 2002
Agência Estado 
Brasília - O governo acredita que, passadas as eleições, a economia brasileira retomará o ritmo de crescimento registrado no início do ano, antes que a escalada do dólar começasse. ''Vínhamos num processo de crescimento, que foi estancado pela crise iniciada em abril'', diz o secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, José Guilherme Dias dos Reis. ''Quando passar a eleição e as pessoas perceberem que o mundo não acabou, esse processo será retomado.''
No primeiro trimestre deste ano, o Produto Interno Bruto (PIB) registrou uma taxa de crescimento de 0,9% sobre os últimos três meses de 2001. Foi uma expansão razoável sobre um trimestre em que a economia teve um bom desempenho. Por isso, na época, acreditou-se que a atividade econômica estava numa boa trilha, que a levaria a crescer perto de 4% no ano. Porém, já em abril a economia começou a sofrer mais fortemente os efeitos da crise argentina, das dúvidas quanto ao crescimento dos Estados Unidos e as incertezas sobre as eleições.
O nervosismo no mercado brasileiro estancou os investimentos, que são uma espécie de locomotiva do crescimento econômico. Segundo o secretário-adjunto de Política Econômica, Roberto Iglesias, os empreendimentos, especialmente aqueles para expansão das empresas, estão paralisados desde abril. Projetos foram postergados principalmente por pequenas e médias empresas, seja por causa das incertezas quanto aos rumos da política econômica, seja pela queda na demanda.
Os economistas do governo acreditam, porém, que o fim do processo eleitoral marcará a retomada gradual desses investimentos. ''Esse é o cenário econômico básico para 2003'', diz Reis. ''Eleito o presidente, a equipe de governo será anunciada e as pessoas vão constatar que as coisas básicas da economia não serão mudadas. Com isso, tende a haver o retorno de decisões postergadas de investimento e consumo'', avalia o secretário.
No entanto, a taxa de crescimento do PIB em 2002 deverá ser modesta, ficando próxima de 1,5% (o Banco Central estima 1,4%). Isso não é considerado um mau resultado, dadas as circunstâncias. Neste ano, a economia dos 12 países da zona do Euro deverão crescer apenas 0,9%, enquanto os Estados Unidos crescerão 2,2% e a economia mundial, 2,8%, segundo estimativa do Fundo Monetário Internacional (FMI).
No front interno, a velocidade e a intensidade da retomada dos investimentos e do consumo serão ditadas pela credibilidade que o futuro presidente da República conseguir amealhar. Reis acha que seria importante a reafirmação dos ''dois grandes eixos'' da política macroeconômica brasileira: a manutenção do ajuste fiscal e a continuidade na melhoria das contas externas.
Segundo o secretário, o desempenho da economia internacional ''sempre pode atrapalhar, mas aí é uma incógnita.'' Ele se refere à possibilidade de uma guerra no Iraque, que poderá não só elevar ainda mais os preços do petróleo, provocando impacto na inflação brasileira, como também lançar novas dúvidas sobre a retomada do crescimento da economia mundial.
Reis acredita que, no último trimestre deste ano, o ritmo de atividade econômica estará ''empatado'' com o verificado em igual período de 2001. Esse desempenho só será possível graças à liberação de R$ 9 bilhões do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS). O dinheiro extra deve garantir o aumento das vendas no varejo e da produção de bens de consumo não-duráveis, como alimentos.
As pessoas também o utilizaram para quitar dívidas. Normalmente, a quitação de dívidas é feita com o dinheiro do décimo-terceiro salário. Como muita gente já pagou o que devia com o dinheiro do FGTS, é de se esperar que, no final do ano, sobre um pouco mais de dinheiro para o consumo. ''O décimo-terceiro terá condições de puxar um pouco a demanda'', avalia o secretário. No entanto, não deverá ser um impulso forte o suficiente para mudar as projeções de crescimento da economia neste ano.


