Após a tempestade, mais incertezas
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 22 de março de 2021
Folha de Londrina 
Definitivamente, hoje não é uma segunda-feira qualquer. É dia de pesar e reflexão. Pesar pelos quase 13 mil brasileiros que perderam a vida para a Covid-19 na semana passada, a pior em toda a pandemia. Reflexão sobre o que mais é preciso para que todos tomem consciência da gravidade do momento que atravessamos.
O fato de nos aproximarmos dos 300 mil mortos não pode, em hipótese alguma, ser tratado como algo corriqueiro. Para os que insistem em minimizar a pandemia, o argumento é que morre-se também de outras doenças. Os números do Registro Civil, no entanto, deixam claro o impacto da doença causada pelo novo coronavírus na letalidade da população. Reportagem publicada pela FOLHA neste fim de semana mostrou que o número geral de mortes nos primeiros 12 meses da pandemia aumentou, em média, 20% do que vinha sendo registrado no período desde 2003.
Em Londrina, a Covid-19 fez uma média de uma morte a cada três horas neste mês. Se considerarmos apenas a última semana, a média cai para duas horas e meia. A Sesa (Secretaria de Estado da Saúde) não arrisca uma perspectiva de melhora nos números da pandemia. A gravidade do cenário fez com que até mesmo representantes dos setores mais afetados pela pandemia repensassem o posicionamento diante das medidas de restrição. O funcionamento das atividades econômicas é fundamental para se evitar um colapso ainda maior, mas há que se respeitar os momentos de maior gravidade.
Outro ponto que merece um tempo de reflexão é sobre os feriados. Especialistas em saúde pública são categóricos em afirmar que o caos que vivemos hoje é, em grande parte, um reflexo dos feriados de fim de ano, Carnaval. Então, com a proximidade da Páscoa, é de vital importância que repensemos o modo como faremos as celebrações nesta data tão importante, simbolizada pela vida.
O começo de mais uma semana é sempre uma boa oportunidade para fazer uma reavaliação de tudo que estamos passando. Não dá mais para tentar ignorar os fatos. Que nesta semana que se inicia possamos reavaliar atitudes e evitar que os recordes sejam quebrados a todo momento. Somente decretos não farão com que a curva da contaminação entre em queda. É preciso colaboração da sociedade e empenho dos governantes em salvar vidas. O aprofundamento no negacionismo é um caminho obscuro e sem volta.
A FOLHA agradece a sua preferência!


