Após 30 anos, o reencontro com a Justiça
A prisão de Marcos Campinha Panissa encerra um longo e triste capítulo da crônica policial de Londrina
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 17 de abril de 2026
A prisão de Marcos Campinha Panissa encerra um longo e triste capítulo da crônica policial de Londrina
Folha de Londrina 
A prisão de Marcos Campinha Panissa, ocorrida no Paraguai, na quarta-feira (15), após ele ficar 31 anos foragido, encerra um longo e triste capítulo da crônica policial de Londrina. A captura do empresário é um apontamento de que os crimes não podem ser esquecidos.
Panissa foi condenado a duas décadas de prisão por ter assassinado a ex-mulher Fernanda Estruzani em 1989, em Londrina. A vítima foi esfaqueada 72 vezes. Panissa estava com mandado de prisão internacional por homicídio, com alerta vermelho da Interpol. Ele entrou no Paraguai usando identidade falsa, de acordo com o governo paraguaio.
Por meio de nota, o Senad (Secretaria Nacional Antidrogas) do Paraguai informou que agentes especiais do Gise (Grupo de Investigação Sensível) localizaram Panissa na quarta-feira, por volta do meio-dia, em uma via pública de San Lorenzo, cidade localizada na Região Metropolitana da capital Assunção.
À tarde, ele foi transferido para Ciudad del Este, que fica na fronteira do Brasil. "Às 23h, na Ponte da Amizade, após passar pelos trâmites de imigração, foi deportado e entregue à Polícia Federal brasileira", diz a nota.
Segundo o governo paraguaio, o Senad havia recebido informações da PF do Brasil, indicando a presença do fugitivo naquele país. As investigações mostraram que usando a identidade falsa de José Carlos Vieira, com a qual também obteve documentação paraguaia, Panissa passou a viver no país vizinho, onde formou família e trabalhava com comércio.
Réu confesso, ele foi julgado e condenado a 20 anos e seis meses de detenção em 1991. Foi submetido a um novo julgamento em 1992, tendo a pena reduzida para nove anos de prisão. A defesa e a acusação recorreram e um terceiro julgamento foi marcado em 1995. Panissa não compareceu e era considerado foragido desde então.
Três décadas de fuga demonstraram fragilidades do sistema de Justiça e segurança, que não conseguiu garantir o cumprimento da pena, entre julgamentos, recursos e anulações.
Por outro lado, a captura expôs a importância da cooperação entre as Forças de diferentes países garantindo que a justiça ultrapasse fronteiras. Às vésperas de prescrição do crime, a prisão significa muito mais que o desfecho de um caso antigo. Estamos falando da possibilidade de revisitar uma história muito dolorosa para uma cidade e de que, mesmo após tanto tempo, a responsabilização é possível.
Obrigado por ler a FOLHA!


