Apoio reforçando candidatura Lula
Com a desistência do PMDB de apresentar candidato à Presidência da Repúlbica, e mais, com a decisão de apoiar Lula, criou-se um declarado favoritismo para a reeleição do atual ocupante do trono. Ele tem agora todas as condições estratégicas para reeguer o troféu. Porque outro grande partido, o PFL, também não irá concorrer, e embora apoie o candidato de outro vigoroso partido, o PSDB de Geraldo Alckmin, essa candidatura está com baixa pontuação na pesquisa e chegou até a cair, em relação a resultados anteriores, estando agora estabilizada em 19% contra 48% de Lula. Faltam 109 dias para a eleição tempo suficiente para viradas, porque o jogo mal começou mas as apostas pendem para uma segunda vitória petista. Pela conta dos governistas, o presidente-candidato vai dar a largada com o apoio, já tido como certo, da maioria dos diretórios estaduais do PMDB, só ficando fora Pernambuco (estado natal do candidato), Maranhão, Acre, Distrito Federal, Mato Grosso do Sul, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Ocorre aí um oportunismo do partido, a tomar-se como base o dizer de peemedebistas de que ''apoiar Alckmin será perder votos''. Ademais, porque o PMDB desejará cargos num eventual segundo mandato de Lula e espaço na discussão das políticas públicas entenda-se poder. A amostragem das consultas populares deve ter induzido essa decisão. Rememorando o dito de Zagalo, o candidato vai levando a nação a crer que, sem outra saída, terá de engoli-lo. De tudo fica ressaltado o que já se disse anteriormente neste espaço: que dois dos grandes partidos (PMDB e PFL) não criaram homens à altura e de aceitação popular para concorrer ao mais alto cargo de República. Pelo menos quatro expressivos candidatos deveriam estar concorrendo e representando cada um dos grandes partidos. É lamentável esse fracasso da denominada representatividade partidária. Se, mesmo ante o fraco Governo Lula que deu oportunidade a um crescimento das oposições, o que não aconteceu partidos históricos como o direitista PFL e o centro-esquerdista PMDB não conseguiram disponibilizar candidatos, é porque não os possui, e se não os possui é porque não soube produzi-los. De uma corporação partidária espera-se justamente isto: que sua escola política seja formadora e selecionadora de homens aptos a exercer mandatos públicos, até porque não há outro meio. Apoiar um candidato que já se mostrou despreparado para a importância da função, negando-se dessa forma a favorecer uma multiplicidade de opções ao eleitorado, é uma demonstração de idêntica incapacidade e de falência da mais relevante das atribuições partidárias.





