A deliberada política governamental de contenção de crédito e altos juros, visando manter baixa a liquidez da economia, tem asfixiado a pequena e média empresa, especialmente aquela. Vítimas dessa combinação perversa de crédito difícil, juros estratosféricos e mais uma elevada carga tributária, mercado retraído e concorrência extremada, vemos cada vez mais e mais empresas paranaenses sendo forçadas a uma drástica redução de suas atividades ou, o que é pior, a fechar as portas, aumentando a já longa fila do desemprego.
A Associação Comercial do Paraná não tem sido espectadora passiva desse triste quadro. Muito pelo contrário.
O alerta às autoridades sobre a gravidade da situação tem sido para nós quase que uma rotina nos últimos tempos. A pregação em prol da pequena e média empresa paranaense é causa que temos abraçado com fervor e denodo, seja através do generoso espaço que os meios de comunicação têm nos ofertado, seja diretamente nos gabinetes de nossas mais altas autoridades.
Nos move, nessa cruzada, a certeza de que somente um programa eficaz e urgente de fomento à empresa paranaense - a exemplo dos múltiplos benefícios concedidos às novas empresas que estão se instalando no Estado - possibilitará a readaptação necessária ao novo quadro da economia nacional, bem como permitirá os investimentos necessários para dotar nossas empresas da competitividade que a globalização impõe. E que somente o crescimento da atividade econômica poderá propiciar os empregos que faltam não só para a atual legião de desempregados e subempregados, mas também para as levas de jovens que todos os anos tentam se incorporar ao mercado de trabalho.
A ACP também tem proposto ações concretas e se empenhado na sua efetivação. Foi assim, por exemplo, no caso da adesão do Paraná ao programa ‘‘simples’’, ou da criação da ‘‘Agência de Desenvolvimento do Paraná S.A’’. Neste caso, lamentamos ainda a demora em sua efetiva implementação, o que vem fazendo letra morta dos objetivos que inspiraram sua criação.
Por outro lado, não nos acomodamos na espera passiva de que medidas salvadoras caiam do alto. Escudada na credibilidade que alcançou como entidade centenária, a ACP tem desenvolvido ações e programas em benefício direto e imediato de seus associados. É o caso dos convênios firmados com entidades financeiras, objetivando disponibilizar aos associados crédito para capital de giro e investimento a taxas favorecidas.
O primeiro dos convênios, assinado em julho com o Banco do Brasil, estabeleceu uma parceria pioneira do gênero no país. Através dela, os associados da ACP dispõem nas agências do BB de desconto de cheques pré-datados, garantia de Cheque-Ouro, independente do saldo do correntista, antecipação de crédito para vendas com cartão de crédito Visa. Dirigentes do BB calculavam movimentar, inicialmente, em torno de R$ 20 milhões com esses produtos a taxas até 50% inferiores às praticadas pelo mercado.
A segunda parceria, com o HSBC Bamerindus, foi também a primeira do tipo assinada pelo banco com uma entidade empresarial. Especialmente dirigido às pequenas empresas, o programa ‘‘Cresça com a Gente’’, criado pelo banco, disponibiliza aos associados da ACP financiamento para capital de giro de até R$ 50 mil, com prazo de pagamento de até 18 meses e juros diferenciados beneficiando as menores empresas - a taxas sempre inferiores às do mercado.
O último dos convênios, firmado no final de agosto com o Banestado, tendo o aval do governador Jaime Lerner, criou o Programa de Ação Comercial do Paraná e segue a mesma filosofia dos anteriores, com produtos diferentes. São dez linhas de crédito para capital de giro e uma linha de interveniência, além do repasse facilitado de linhas administradas por outras instituições, como o Finame do BNDES.
A ACP está empenhada, ainda, em ampliar o número de parcerias com outras instituições bancárias. Com esse programa, a ACP oferece uma resposta concreta aos anseios do empresariado associado e cumpre com sua responsabilidade de entidade indutora do crescimento, do desenvolvimento. Ganham os associados, que agora dispõe de novos instrumentos para enfrentar os desafios do mercado. E ganha a sociedade como um todo, com a manutenção e até crescimento da atividade econômica. Afinal, as mais de 5.800 empresas associadas da ACP são atualmente responsáveis por 250 mil empregos diretos nos setores do comércio, indústria e serviços.
- ARDISSON NAIM AKEL é presidente da Associação Comercial do Paraná

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