Em um evento recente realizado na Fiep, em Curitiba, com o tema CONECTUSA, tive a oportunidade de ouvir diversos depoimentos de palestrantes americanos e empresários que atuam nos Estados Unidos. Uma coisa ficou clara: todos destacaram uma realidade comum e fundamental para o sucesso das empresas naquele país. Nos Estados Unidos, os governos — seja federal, estadual ou municipal — atuam em parceria com as empresas, como se fossem o "camisa 12" do time empresarial. Estão sempre ao lado das companhias, dispostos a ajudar no que for necessário para garantir seu sucesso. Eles têm uma visão muito clara de que as empresas são fontes de riqueza, empregos e avanços tecnológicos e sociais. Uma empresa forte não é apenas um motor econômico, mas a base de uma comunidade sólida, de um estado próspero e de um país estável.

É comum ver representantes dos consulados americanos visitando empresas brasileiras, buscando entender suas dificuldades e ajudá-las a alcançar o sucesso. Esse apoio não se limita ao território americano; eles fazem isso dentro e fora do país.

Essa abordagem é, sem dúvida, admirável. O envolvimento das autoridades demonstra um comprometimento genuíno com o desenvolvimento econômico, reconhecendo que as empresas são pilares fundamentais para a geração de empregos, inovação e progresso. Embora eu não saiba se outros países adotam a mesma prática de maneira tão organizada, é certo que as nações desenvolvidas, de forma geral, reconhecem e valorizam quem produz. Elas entendem que o empreendedor é essencial para a economia e que o apoio a essas iniciativas é vital para um futuro próspero.

Não é coincidência que países com economias robustas invistam tanto na criação de um ambiente favorável para seus empresários. Eles reconhecem a importância do empreendedor, seja no comércio, na indústria, no agronegócio ou nos serviços. Todos esses setores geram riquezas, contribuem para a arrecadação de tributos, geram empregos e renda, impulsionando o desenvolvimento do país.

Enquanto ouvia as palavras dos palestrantes, refletia sobre o contraste com a nossa realidade. A cultura empresarial no Brasil é, muitas vezes, marcada por desafios e pela falta de apoio institucional. O cenário aqui é bem diferente. Em nosso país, os governos, em todos os níveis, parecem, muitas vezes, agir de maneira contrária ao desenvolvimento das empresas e dos negócios. Talvez, de forma inconsciente, adotem uma postura que dificulta o ambiente de negócios e impede o crescimento das empresas brasileiras.

Acredito que isso é resultado de um pensamento equivocado, formado ao longo de décadas, em um ciclo que se perpetua e que não corresponde às necessidades econômicas do Brasil. Esse tipo de mentalidade, que desvaloriza a produção, cria uma série de obstáculos, muitos dos quais são quase impossíveis de ser cumpridos. Além de encarecer a produção para o mercado local, dificulta a competitividade internacional, pois os custos elevados não são recompensados pelo cliente externo. Ao invés de contribuir para o crescimento, o Estado brasileiro dificulta e penaliza o empresariado local.

Entendo que chegou o momento de reverter essa visão destrutiva. Precisamos mudar nossa cultura e passar a valorizar quem produz, ao invés de penalizar quem trabalha para criar riquezas. O município ou estado que adotar uma política eficaz de apoio ao empreendedor, simplificando a burocracia e adotando práticas semelhantes às dos países desenvolvidos, certamente sairá na frente e alcançará um nível de desenvolvimento superior. Embora não tenha certeza, minha percepção é que em Santa Catarina esse processo já está em andamento.

Imagine o quanto poderíamos ser mais prósperos e menos pobres se adotássemos uma mentalidade voltada para o fomento ao desenvolvimento empresarial, criando um ambiente que estimule o crescimento e a inovação. Está na hora de romper com esse ciclo vicioso e construir um futuro mais promissor para o Brasil.

Ary Sudan, empresário

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