Apoio à indústria
É fato que o setor industrial vem perdendo espaço na economia brasileira. Balanço divulgado na semana passada aponta que o setor respondeu, no ano passado, por 14,6% do Produto Interno Bruto (PIB). O índice é o menor desde 1956, ano em que o então presidente Juscelino Kubsticheck lançou o plano nacional de industrialização.
Ultimamente, afetados pela apreciação do real frente ao dólar, alta carga tributária, aumento das importações e crise econômica mundial, os produtos nacionais perderam competitividade no mercado externo. Ao mesmo tempo, o segmento de serviços ampliou participação no PIB nacional, atingindo índice de 67,4% no ano passado.
Se o Brasil passa por um processo de desindustrialização, a questão é mais complexa. O pico da participação industrial na economia ocorreu entre os anos 70 e 80, quando em 86 o índice chegou a atingir 32%. No entanto, logo após esse ano houve uma perda sustentada e, no início do processo de liberalização comercial, em 1990, o percentual havia sido reduzido para 22,7%. A avaliação de economistas é que se o cenário atual persistir por muito mais tempo a desindustrialização poderá ocorrer.
Agora, as entidades que representam as indústrias decidiram agir. Federações das Indústrias dos Estados de São Paulo e do Paraná realizam ato no próximo mês. A intenção é pressionar o governo federal a implantar iniciativas que favoreçam o setor. A entidade paranaense defende a realização das reformas tributária e fiscal, redução da taxa básica de juros e uma política cambial que iniba a valorização do real. Fatores que, de fato, precisam ser revistos.
Há anos a cadeia produtiva vem sendo penalizada por um conjunto de fatores: cargas tributária e trabalhista, custo da energia elétrica, spreads bancários e falta de infraestrutura logística. É, portanto, justificável que o setor se una e reivindique apoio, assim como várias categorias já fazem. Se alguma medida for implantanda certamente todo o País será beneficiado.





