Mesmo em um cenário de crise econômica, Londrina tem conseguido se destacar. Levantamento da Serasa Experian, feito a pedido da reportagem da FOLHA, aponta que no primeiro trimestre deste ano foram criadas 1.960 empresas, número 13,8% maior do que as 1.723 registradas no mesmo período do ano passado. O índice é bem superior à média nacional, que ficou em 2,31% e à estadual, 3,8%.
Os dados impactaram positivamente no mercado de trabalho. Segundo o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados o saldo de empregos (diferença entre admissões e demissões) foi 61% maior entre janeiro e março de 2015 na comparação com o mesmo período do ano passado. Foram 3.579 postos de trabalho contra 2.222. Os dados apontam para uma significativa melhora do ambiente econômico da cidade. Passadas as turbulências políticas das últimas gestões, o empresariado se sente mais seguro para fazer investimentos.
No entanto, apesar do ambiente agora mais propício, há que se discutir o perfil dessas empresas. Conforme a pesquisa, 66,48% são do setor de serviços; 26,43% do comércio e apenas 6,84% indústrias. Índices semelhantes foram registrados no Estado e no País. E essa é uma grande questão. Os serviços, embora sejam bastante importantes para a economia atual, têm média salarial mais baixa e não movimentam tão fortemente outras cadeias como a indústria.
No cenário nacional, essa movimentação tem acontecido devido à crise econômica. Inflação em alta, taxa de juros em elevação, apreciação do dólar frente ao real e os escandâlos de corrupção, entre vários outros fatores, têm afastado investidores internacionais e tirado a confiança do empresariado local. Já em Londrina, a própria vocação da cidade contribui. No entanto, debates gerados por representantes da sociedade civil apontam a industrialização com uma opção para o desenvolvimento municipal. Talvez seja um bom momento para discutir e propor novas políticas que planejem o crescimento da cidade a longo prazo.

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