Aperto monetário ainda preocupa
A pergunta que os agentes econômicos estão fazendo é esta: Como será o desempenho macroeconômico após ajuste fino dos juros básicos, através da elevação da taxa Selic, na semana passada. Para a maioria dos analistas as indústrias vão meter o pé no freio. Muitas terão um olho nos próximos reajustes e outro olho na campanha eleitoral. O aperto monetário cíclico, anunciado pelo governo, deixou o setor industrial com o desconfiômetro ligado. Mas a análise de representantes da Confederação Nacional da Indústria (CNI) não apavora.
A análise do desempenho até agora mostra um setor tranquilo. Com crescimento sustentado pelas vendas domésticas, a indústria brasileira já está superando os males causados pela crise econômica global. Segundo a CNI, no primeiro trimestre deste ano, o faturamento do setor acumulou crescimento de 12% ante igual período de 2009. Com isso, o nível atingido pelas vendas em março, recorde para a série histórica iniciada em 2005, supera em 5,8% o patamar de setembro de 2008 - quando a turbulência foi iniciada, com a quebra do banco americano Lehman Brothers. A indústria deixa a crise para trás e passa a trabalhar em patamar superior ao de setembro de 2008, disse o gerente-executivo da Unidade de Política Econômica da CNI, Flávio Castelo Branco, em entrevista à Agência Estado, de Notícias.
Objetivamente, apenas o indicador de faturamento já superou o patamar pré-crise. Mas, se os outros índices ainda não ultrapassaram os níveis de setembro de 2008, estão prestes a fazê-lo. No caso das horas trabalhadas na produção, por exemplo, o índice de março ainda está 1,7% abaixo do de setembro de 2008. Mas já deve reverter essa situação no segundo trimestre, comentou o analista de políticas e indústria da CNI, Marcelo de Ávila.
O emprego, por sua vez, está mais perto de recuperar o prejuízo, já que em março o índice ficou apenas 0,5% inferior ao ponto em que estava em setembro de 2008. Em abril, é possível que já ultrapasse, dis-
se Ávila.
O faturamento real da indústria aumentou 4,3% em março, na comparação dessazonalizada com fevereiro. Em relação a março de 2009, houve alta de 14,7%. E as vendas devem continuar crescendo. Ávila acredita que a expansão do faturamento do setor deverá atingir o patamar de dois dígitos em 2010, na comparação com o ano anterior. A hipótese otimista descarta novos ajustes nas taxas básicas. Mas isso vai depender da sinalização do risco de inflação no segundo semestre.





