A seção de opinião dos leitores deste Jornal registra com frequência queixas de motoristas contra o que qualificam de arbitrariedade dos guardas de trânsito em Londrina. Não especificam se são os municipais ou os estaduais, mas é certo que esses agentes não são muito vistos nas ruas. No entanto, as multas aparecem. Inegável que há uma usina de punição e de arrecadação em funcionamento, de interesse do município e do Estado. Se há motoristas imprudentes, o sistema viário da cidade é complexo, ademais pela presença em circulação de 100 mil veículos por dia, nos horários normais de expediente. Em face de tanto movimento e dos naturais infratores, todo o gasto com a manutenção de guardas e do sistema deveria ser canalizado para melhoria do que não funciona. O poder público fazendo a sua parte teria mais autoridade perante os infratores e estes eventualmente criariam mais consciência. Mas o que impera é a antipatia mútua entre motoristas e representantes do setor público. Os agentes não são vistos orientando o tráfego, mas atuam bem como aplicadores de multas. E não faltam denúncias de motoristas de que sofreram multa sem haver cometido a infração. Alguns afirmam não possuírem telefone celular ou nunca o haverem utilizado quando no volante, mas que foram autuados. Até onde está a razão das partes, será difícil saber-se, mas é certo que muitas multas aparecem de surpresa, sem o condutor estar seguro de que errou. Ao invés do apito e dos braços levantados para orientar o tráfego, é mais comum os guardas segurarem bloco e caneta nas mãos. Denúncias tornadas públicas não têm produzido bons resultados. Parece não existir, em Londrina, uma política de trânsito, porque há muitos anos não se toma providência para melhorar o sistema. Segundo o Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Londrina (IPPUL), existem na cidade 10 mil cruzamentos e 250 semáforos, mas estes (a não ser em alguns poucos e curtos trechos) não operam em sincronia. Perde-se muito tempo e gasta-se muito combustível com o veículo parado diante de sinaleiros desnecessários ou com excessivo tempo no vermelho, em ruas de grande fluxo. Uma avenida como a Higienópolis acumula, em horário de pico, quatro quarteirões de veículos engarrafados à espera de os semáforos desincronizados irem se abrindo (o sinaleiro diante do Iate Clube é uma das mutíssimas aberrações). A central computadorizada existe para atender a apenas 40 semáforos (dados do IPPUL) mas deve estar inativa, porque avenidas de escoamento deveriam merecer atenção especial, como o sinal mais tempo no verde ou a adoção da luz intermitente. Um detalhe: quem vai pela pista esquerda da Higienópolis, rumo ao Shopping, depara de repente com 'tartarugas' debaixo do viaduto e tem inevitavelmente de cruzar em velocidade sobre elas, ou brecar. A falha, aí apenas mais um exemplo, entre tantos é do sistema e não do condutor, que nunca tem razão pela ótica do órgão encarregado do setor. Torna-se necessário criar um Conselho Municipal de Trânsito que funcione, de preferência integrado por motoristas da comunidade dentre os que mais circulam com seus veículos, a fim de oferecer sugestões aos departamentos competentes. Outra realidade é nunca haver vez, nas esquinas, para o pedestre (salvo em menos de meia dúzia de pontos), embora existam as faixas pintadas de pedestres, isto numa cidade com 10 mil cruzamentos. Certo é que Londrina não possui uma estrutura viária adequada. Já passa da hora de implantá-la.

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