Quantos de nós, com razão ou não, desacatamos Zagallo, julgando-o atrevido, arrogante, burro, teimoso, simplesmente por ter personalidade forte e saber o que quer? Alguém de bom senso poderia dizer que ele não deseja o melhor para o nosso país no futebol? Jamais. Mas todos nós temos um momento em que, devido a perdas afetivas ou pessoais, ou pelo muito sofrer, despencamos nas lágrimas.
Quem não vivenciou uma perda? Quem não amou muito (ou pensou amar) e quando perdeu esse amor não ficou entristecido ao extremo? Quem não perdeu um parente, pai, mãe, amigo ou amiga verdadeiros, sem derramar lágrimas ou quando de suas doenças, físicas, mentais, emocionais e afetivas? Quem ainda não caiu de joelhos perante o Altíssimo, suplicando por entes queridos que ama?
Alguns que disserem o contrário, com certeza, estarão apenas adiando o arrombamento de uma represa enorme de lágrimas contidas.
E quando a frustração de um ideal ocorre, por motivos alheios à vontade da pessoa, como pela síndrome do pânico, mesmo na busca da cura, tornando a pessoa diferente do usual e muitas vezes até rejeitada por quem dizia amá-la, alguém já experimentou essa tristeza?
No último jogo, Zagallo mostrou-se humano, exatamente igual a mim e a você, sujeito às mesmas emoções, tristezas, alegrias, conquistas, depressão, rejeição e aplauso, e não aguentou, chorou, como eu, muitas vezes por perda de pessoas amadas, ou por um azulão que deixou de cantar num beiral de floreira ou um cachorrão de pelúcia e que só encontra alegria quando eu e ela estamos juntos?
Assim sou eu, somos todos nós, meninos e meninas, adultos ou não, peregrinos da esperança e do amor maior, que muitas vezes podemos sentir enorme tristeza, não porque seja mau esse sentimento, mas pela distância do ser amado, que gera tristeza, falta do afeto melhor, da escolha que não pediu para acontecer.
Graças a Deus, não pela tristeza, mas pela alegria de sabermos que somos humanos, tanto quanto seu Filho Jesus, e que chorou quando soube da perda de Lázaro, seu amigo. Deveríamos ser um pouquinho menos máquinas às vezes e mais humanos, liberando na represa da sensibilidade (via lágrimas ou sorrisos), atributos tão lindos, coisa de ser humano, que informática, desenho, arquitetura ou literatura alguma poderão copiar.
- LUIZ EDGARD BUENO é escritor em Londrina

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