Apenas o poder no pensamento do PMDB
Desejar o mais relevante cargo da República é um anseio natural dos partidos políticos, e muito especialmente daqueles com maior chance, como é no momento o caso do PMDB, embora estejam pela frente 3 anos e meio até a eleição presidencial. Depois de conquistar, no segundo mandato petista, 5 ministérios e apresentar uma extensa lista de indicações para outros cargos, o partido comunicou ao presidente Lula que quer ser cabeça de chapa na disputa de 2010. O anúncio foi feito em jantar na residência do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB), com a presença de nada menos que 183 membros do partido.
O que desencanta os cidadãos deste país é que, mais uma vez, os políticos demonstrem ter, primordialmente, o olhar fixo no poder, quando tantas questões estão aí para serem discutidas, ainda mais quando um partido como o PMDB passa a também exercer governo, como agora ocorre face ao amplo acordo firmado com o presidente Lula após a sua reeleição. Para o governante petista, que não disse sim nem não a um apoio a essa idéia, o inevitável encontro foi algo incômodo para ele, pois é óbvio que deseja um sucessor de seu próprio partido, e é também, naturalmente, o que o PT quer.
Cisões, portanto, estão à vista, porque o partido no poder não desejará abandonar facilmente a idéia da continuidade. O que vem pela frente acena para turbulências e alguns impasses de governabilidade, porque o PMDB conseguiu posições importantes no Governo e fará uso delas. Esta foi a moeda de troca para o apoio que a nova administração Lula irá precisar, sob risco de ver frustrar-se algumas de suas metas governamentais. E não só o PMDB, porque a aliança governista reúne 11 partidos. Se a questão for fechada em torno de uma candidatura peemedebista, Lula terá de ceder, mas não é certeza que o seu partido seguirá a mesma linha.
Mas, retomando-se o fio da meada deste comentário - a meta fixa do PMDB no poder - frustra os brasileiros constatar que, desse acordo do grande partido com o Governo, nada até agora se acenou como positivo para a causa de grandes projetos, discussões e resoluções de interesse da nação. Nenhuma revolucionária proposta de mudanças que impulsionem o crescimento econômico e eliminem os bolsões de subdesenvolvimento.
Esperava-se algo mais substancial desse acordo de gigantes, tanto do segundo Governo Lula quanto do PMDB. Do partido, se este tem um natural compromisso com a nação pela condição de agremiação partidária e com grande bancada na Câmara e Senado, muito mais responsabilidade tem agora, pelo domínio de tantos ministérios e outros possíveis cargos governamentais. Mas vê-se que tudo gira em torno do interesse fisiológico, o de estar no poder e perpetuar-se nele.





