Com a crise anunciada no setor elétrico brasileiro, vieram juntas a instabilidade da moeda e também a credibilidade do planejamento do governo federal. Os aproveitadores de plantão, que são considerados como urubus dos necessitados, que é o setor financeiro, tendo em vista a necessidade veemente de nossa economia por recursos financeiros, não estão subindo os juros na captação dos depósitos a prazo e muito menos o governo também não subiu os compulsórios. Mesmo assim, os bancos começaram após as recentes altas do Copom na taxa básica, a aumentar consideravelmente os juros dos tomadores de crédito.
Não existe motivo algum para a alta dos juros e não existe notícia do aumento de inadimplência. Os bancos internacionais, que recém-adquiriram grandes grupos brasileiros do setor, não estão chorando com as rentabilidades alcançadas. O Banespa já está demonstrando sua viabilidade dando lucros e os três maiores bancos nacionais disputam palmo a palmo as compras dos bancos menores. Então, como poderia ser o setor um mal negócio?
Por outro lado, o mercado internacional começou a comprar parte dos nossos grandes bancos e também já se visualiza a entrada muito breve de outro grande banco no mercado de varejo brasileiro, maior do que os que estão aí atualmente. Nossa economia poderá se ressentir de uma redução de produção. É a famosa lei da oferta e procura, podendo resultar em falta de produção e aumento de preços com consequente aumento da inflação.
Poderia então o leitor questionar: a culpa da crise energética é do governo? Não totalmente, porque ninguém, no mercado mundial, muito menos no mercado brasileiro, esperava um crescimento tão grande de nossa economia, que não se restringe a novas fábricas, mas também a ampliação das existentes.
O que ocorreu pós Plano Real foi um aumento no poder aquisitivo da população. Junto veio o consumo. É só fazermos uma análise comparativa de quantos aparelhos elétricos e quantos pontos de luz existiam antes e depois do Plano Real nas casas de famílias de classe baixa e média baixa. O governo deveria ter feito uma previsão, mas convenhamos que o crescimento de nossa economia e da massa salarial subiram acima de todas as expectativas.
Além do que, a oferta de eletrodomésticos antes do Plano Real era diminuta, porque o mercado interno nadava de braçadas no preço. Com a instalação do Real e com o dólar valendo R$ 0,80 a R$ 0,85, foram abertas portas para a importação e o preço competitivo se instaurou, favorecendo o consumidor.
Quando se fala de uma reestruturação de energia ouvimos os especialistas da matéria dizer que o curto prazo de investimentos é de cinco anos e o médio prazo é dez anos. Porém, não devemos deixar de penalizar o governo, pelo menos em parte, pois praticamente já estamos com oito anos de gestão. Mas não podemos ficar à mercê dos urubus de plantão quando querem subir juros sem qualquer justificativa se aproveitando de uma crise energética.
Temos que economizar, e para que tenhamos uma noção da grandiosidade desta economia, segundo especialistas, 20% de economia no geral pode representar uma Itaipu em funcionamento. Uma coisa é certa: não podemos deixar vingar os risos internacionais quando falaram que os brasileiros estavam enganados no momento em que sempre admitimos que o nosso País é abençoado por Deus em todos os sentidos. O sentido patriótico tem que imperar, demonstrando que estamos preparados para adversidades mesmo que provisórias.
- PAULO AFONSO RODRIGUES é contabilista e assessor financeiro em Londrina
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