O "apagão" de mão de obra não é exclusividade da iniciativa privada. Alardeada há alguns anos como um dos entraves para o desenvolvimento econômico do País, a falta de qualificação do corpo de servidores das prefeituras e dos Estados também impede a construção e manutenção de prédios públicos, o recebimento de recursos para a execução de projetos que poderiam melhorar a qualidade de vida da população e contribui para a grande quantidade de obras paradas. De maneira generalizada, a falta de investimentos na educação – em todos os níveis – reflete diretamente no desempenho da economia.
Um dos exemplos é o levantamento do Tribunal de Contas da União que consta o aproveitamento de apenas 46% dos recursos disponíveis direcionados a serviços de proteção social básica. O motivo: muitas das propostas apresentadas pelas prefeituras não atenderam aos requisitos exigidos para o convênio. Outra estimativa, da Associação Brasileira de Municípios, aponta que entre 30% e 40% dos projetos apresentados por prefeituras ao governo federal foram rejeitados em razão de problemas técnicos.
Essa semana, Londrina perdeu duas importantes obras por falhas na elaboração da licitação: a construção de um presídio, o que aumentaria a capacidade do sistema carcerário; e a obra do Instituto Médico Legal que, há anos, funciona de maneira improvisada. Ainda há o atraso na licitação de tornozeleiras que seriam usadas por detentos em regime semiaberto, também por questões técnicas.
Enquanto os municípios alegam dificuldades de contratação de mão de obra
qualificada em razão dos baixos salários oferecidos e distância dos maiores municípios, o que afugentaria candidatos, esse ciclo permanece: falta de recursos para execução das obras e ausência de grandes projetos porque não há dinheiro. Diante de um cenário desolador, é necessária adoção de medidas que revertam a situação. Se recursos existem, não seria
o caso de as prefeituras investirem em treinamentos e qualificação de seus funcionários? Contratação de consultorias com foco em projetos também seria uma das alternativas.
Os governos federal e estadual também poderiam auxiliar os municípios na elaboração de projetos, a partir da elaboração de um modelo padrão ou de um manual técnico. Esta seria uma solução que ajudaria a curto prazo, embora não resolve o problema da falta de qualificação. De todo modo, é preciso discutir a fundo a questão. Investir nos funcionários é uma questão urgente.

mockup