Aos 95 anos, Billy Wilder morre nos Estados Unidos
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quinta-feira, 28 de março de 2002
Agência Folha 
Nova York - Morreu ontem nos Estados Unidos o maior e mais cínico diretor norte-americano, que na verdade não era americano e não dirigia mais desde 1981. Billy Wilder tinha 95 anos, nasceu na Áustria e seu último filme foi Amigos Amigos, Negócios à Parte.
É difícil dizer qual sua obra principal: O Crepúsculo dos Deuses (1950), o mais cruel e verdadeiro raio-X de Hollywood? A Montanha dos Sete Abutres (1951), um dos mais importantes filme sobre jornalismo? O Pecado Mora Ao Lado (1955), que consagrou Marilyn Monroe como comediante? Quanto Mais Quente Melhor (1959), para muitos a melhor comédia já feita em todos os tempos?
Fazer filmes é como entrar num pequeno quarto sem iluminação. A maioria das pessoas esbarra nos móveis, umas quebram a perna, mas alguns de nós enxergam melhor no escuro, disse certa vez. O verdadeiro truque é convencer, persuadir. Cada pessoa lá fora é um idiota, mas coletivamente são todos gênios. Billy Wilder morreu em decorrência de pneumonia na noite de quarta-feira em sua casa, em Beverly Hills (cidade ao lado de Hollywood, no Estado da Califórnia). Havia sido internado em dezembro passado com dificuldades de respiração. Deixa uma filha, Victoria, e a segunda mulher, a ex-cantora Audrey Young.
Samuel Wilder nasceu em 22 de junho de 1906 em Sucha, na Áustria-Hungria (hoje Polônia), e trabalhou como jornalista em Berlim antes de se mudar para Hollywood em 1933, com a chegada de Hitler ao poder. Foi aos EUA sabendo cem palavras em inglês. Passou a assinar Billie, que viraria depois o definitivo Billy.
Em 50 anos de carreira, dirigiu 26 longas, produziu e escreveu roteiros de outros tantos, foi indicado ao Oscar 21 vezes e ganhou seis estatuetas, duas como diretor. Estreou na direção em 1934, com Mauvaise Graine (Grão Maldito, em francês), dirigido em Paris.


