Aos 15 anos, garota quer se casar e ser advogada
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sábado, 13 de julho de 2002
Ana Paula Nascimento<br> Reportagem Local 
Ter aids não significa abrir mão dos sonhos. Para a adolescente M.C.F., 15 anos, que convive com a doença, o maior é um dia ser advogada. ''E vou ter que estudar muito para conseguir isso'', comenta a adolescente, que está na sexta série. Na escola, os professoras e a diretora sabem da sua doença. ''Mas os meus colegas não. Acho melhor assim, tenho receio que eles me tratem diferente'', diz.
A adolescente ficou sabendo da sua doença quando tinha 12 anos. ''Foi a médica que até hoje acompanha o meu tratamento que me contou. Na hora, me deu uma grande tristeza. Tinha medo de morrer rápido.'' No dia, também ficou sabendo que a doença foi transmitida pela mãe que ainda é viva na hora do parto. ''Acho que a minha mãe pegou do meu pai'', afirma. M.C.F. mora desde recém-nascida com os avós maternos e a última vez que viu o seu pai tinha 9 anos. ''Quando encontro a minha mãe, ela sempre fala que é para eu me cuidar, tomar os remédios corretamente...''.
Diariamente, ela toma seis tipos diferentes de medicamentos, fornecidos gratuitamente pelo sistema municipal de saúde, e uma vez por semana tem sessão individual de terapia. ''Isso ajuda muito, mas gostaria também de participar de um grupo que tivesse adolescentes na mesma situação. Às vezes, me sinto muito sozinha.''
Como a maioria das meninas na sua idade, M.C.F. sonha em namorar, casar e ter filhos. ''Sei que é difícil, vai ser preciso tomar cuidados para não haver transmissão da doença, mas quem gostar de mim de verdade vai conseguir enfrentar essa situação comigo.''


