Ao menos questão da planilha é discutida
Está desinformado quem disser que sabe quais são os números corretos nas planilhas da CMTU e da Comissão Especial da Câmara (CEI) instituída para avaliações a respeito. Não por suposta má fé de uma ou outra instituições mas porque é complexo o levantamento sobre o custo das empresas concessionárias e a receita, de cujo balanço resulta a fixação da tarifa.
No calor das divergências a representação dos vereadores chegou a acusar a comissão da CMTU: É composta por teólogos e secundaristas.
Já o prefeito lança dúvida sobre o levantamento da CEI ao acusá-la de mostrar números que não são reais e não confirmados. Como ninguém ainda pode afirmar com precisão o que é ou não real, aguarda-se o terceiro estudo, o de um grupo de técnicos da Universidade Estadual de Londrina.
Ao menos a questão está sendo discutida, diferente de outros tempos, quando a tarifa era estabelecida a critério da CMTU e do chefe do Executivo, sem a participação (ou participação mínima) dos vereadores e de representações dos usuários. A decisão de adiar a greve no transporte urbano um risco que caminhava paralelo ao impasse sobre as planilhas atenua a situação, por não prejudicar os passageiros. Espera-se que os números a serem apresentados pela Universidade sejam aceitos pelas partes em litígio, especialmente o prefeito, tendente desde a primeira hora a conceder o aumento da tarifa (hoje de R$ 2) pleiteado pelas duas concessionárias do serviço. O clima é de nervosismo.
A sugestão da CEI de anular os editais de licitação de 2003, para exploração do serviço (com validade para 15 anos, prorrogáveis por outros 15), não é uma medida que pode ser tomada aleatoriamente, porque uma quebra de contratos tem suas implicações legais. A posição do Executivo é que os vereadores que compõem a Comissão extrapolam poderes.
O relatório da CEI que acaba de ser entregue também pede o indiciamento de ex-gestores da CMTU da administração anterior, sob a acusação de improbidade administrativa. Foi nessa gestão, ao apagar das luzes do mandato, que o prefeito Nedson Micheleti aumentou a tarifa, um ato barrado pela Justiça.
Os técnicos da Universidade têm de analisar não apenas a planilha da CMTU mas também a dos vereadores, e realizar a sua própria. A expectativa natural da sociedade, neste momento, é que os profissionais da UEL façam prevalecer seu conhecimento técnico e não permitam que o resultado do seu trabalho seja contaminado por interesses político- partidários.





