Em ano eleitoral e em meio aos prejuízos causados ao Paraná pela invenção da febre aftosa, agora o governo federal pela palavra do ministro Roberto Rodrigues ''está consciente'' da necessidade de medidas para evitar um agravamento da crise no campo. As coisas têm de chegar ao ponto de exaustão para, ao menos, os governantes assumirem consciência acerca das agruras que a atividade rural enfrenta. Não é por acaso que o superávit dos negócios externos se estriba, com elevado porcentual, nos produtos exportáveis oriundos da agricultura e da pecuária, mas ao preocupar-se agora, também, com uma queda nesse setor, o Governo parece ainda não atentar para as origens dessa conta superavitária. Lembra a ironia que se fazia de um ministro que nunca havia visto uma vaca de que ele achava que o feijão era produzido em fábrica. Depreende-se que o líder sindicalista Luiz Inácio da Silva, o médico e prefeito de cidade grande Antonio Palocci e a guerrilheira Dilma Roussef (e ao menos Rodrigues é agrônomo) imaginam que os produtos da terra brotam por encanto e que não há necessidade de amparo e de políticas de sustentação para a gente do campo. Já passa da hora de o Governo ''ficar consciente'' da realidade. Anuncia-se que na próxima semana o Presidente fará reunião para discutir a delicada situação da agricultura, com a presença dele e de Palocci, Dilma (agora na Casa Civil e com mais poder) e Paulo Bernardo este um homem do Paraná e sabedor do que ocorre. Deveriam ser chamados também os presidentes da Federação da Agricultura do Estado do Paraná, da Sociedade Rural do Paraná e da Organização das Cooperativas do Paraná, assim como, também, representantes de outros Estados produtores. O setor agrícola enfatize-se o Paraná está enfrentando sérias dificuldades, em consequência da seca e também da constante negligência dos governos. O próprio ministro da Agricultura pouco simpático, no momento, aos olhares dos paranaenses admite que no ano passado ''o Governo demorou para reagir'' à crise enfrentada pela agricultura. E como ele próprio nunca teve grande poder para as artes do bem em sua área de incumbência embora o tivesse para a malvadeza de sustentar a aftosa inexistente no Paraná não foi suficientemente decisivo para, na época, alertar o Governo. Serão necessários aportes financeiros de vulto, renegociação das dívidas dos inadimplentes e outros socorros, porque as lavouras de soja tiveram quedas de safra acima de 30% e em alguns casos até de 70%. Será preciso dar atendimento, sem questionar, e impor um afrouxamento dos garrotes sobre o produtor rural, porque se o campo perecer, as cidades e as fábricas também perecerão. Pela simples razão de que o ser humano não come parafusos. Interceder pela atividade rural não é apenas interceder pela gente do campo mas pela gente de todo o Brasil. O superministro da Fazenda que não se sabe por quanto tempo ainda se sustentará, mas que, por enquanto, ainda é o senhor soberano do dinheiro precisa ser informado disso.

mockup